Expectativas para 2026
Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, destaca a necessidade de enfrentar os desafios da política fiscal no Brasil. Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, Noronha analisou o cenário econômico e projetou uma desaceleração no crédito em 2026, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Para ele, a relação entre a dívida pública e o PIB é uma preocupação central que a nova administração deverá abordar, independentemente de quem vença as eleições.
Com a expectativa de um crescimento modesto de 1,5% para a economia brasileira e um mercado de trabalho ainda alinhado, o presidente do banco ressalta que a massa salarial deve continuar em ascensão. Apesar de um desemprego controlado em cerca de 5,5%, a pressão por investimentos é constante. A proposta de um crescimento de 0,5% nos investimentos privados, principalmente devido à volatilidade eleitoral, foi uma das análises mais incisivas de Noronha.
Impactos da Geopolítica e da Inteligência Artificial
Em sua análise sobre o contexto global, Noronha comentou que a geopolítica e a inteligência artificial são temas centrais a serem discutidos no Fórum de Davos. Ele acredita que a economia mundial deve crescer cerca de 3,2% em 2026, com a China desempenhando um papel importante ao exportar deflação para o mercado global. No entanto, essa expansão ainda será superior em relação à economia brasileira, que enfrenta desafios estruturais.
Na sua visão, a desaceleração do mercado de crédito é uma consequência previsível, com captações no mercado de capitais podendo cair entre 10% e 20% devido ao clima eleitoral, que tende a deixar o setor privado em uma postura defensiva. Apesar disso, a atuação do Bradesco no mercado externo, com captações expressivas, demonstra um otimismo cauteloso.
O Cenário do Crédito e Inadimplência
Noronha também abordou a questão da inadimplência, reforçando que não vê um aumento explosivo nessa área. Ele acredita que a situação da renda familiar e a saúde financeira das empresas serão determinantes para manter a estabilidade. A desaceleração prevista no crédito, com crescimento de 4,8% para pessoas jurídicas e 9% para pessoas físicas, reflete a necessidade de um apetite de risco ajustado às condições econômicas.
A Visão sobre Emissões de Ações e Mercado de Capitais
Quando questionado sobre as emissões de ações, Noronha expressou que o mercado de IPOs está cauteloso, especialmente no Brasil, onde a queda das taxas de juros pode ser um fator decisivo para a retomada desse tipo de movimentação. Ele vê um potencial no follow-on, que pode ser mais viável neste momento.
Desafios Fiscais e a Papel do Banco Central
Por fim, ao comentar sobre a situação fiscal do Brasil, Noronha foi enfático ao afirmar que o país enfrenta um desafio institucional significativo. A relação entre a dívida pública e o PIB, que já ultrapassa 80%, precisa ser estabilizada, especialmente com um cenário eleitoral se aproximando. Para ele, a combinação de taxas de juros menores e uma gestão cuidadosa da dívida é essencial para evitar consequências econômicas adversas.
O presidente do Bradesco concluiu sua análise enfatizando que o Brasil precisa crescer de forma sustentada para conseguir estabilizar sua dívida pública. Assim, um crescimento contínuo em torno de 3% ao ano seria ideal, aliado a uma taxa de juros que não agrave a situação fiscal do país. O cenário, portanto, exige realismo e uma abordagem estratégica por parte das futuras lideranças políticas.

