A transição dos orelhões para as novas tecnologias móveis
Uma era chega ao fim: os orelhões, que foram essenciais para a comunicação em tempos passados, estão gradualmente se tornando obsoletos, especialmente com a alta popularidade dos celulares. A remoção desses aparelhos, que começaram a ser desativados em janeiro, é parte de uma regulamentação que se alinha com a nova realidade da telefonia móvel. O processo de retirada não será uniforme; os orelhões permanecerão em localidades onde a cobertura de celular ainda não é uma realidade, garantindo que a comunicação não se torne um desafio para a população local até 2028.
A Algar, uma das empresas responsáveis pela operação desses telefones públicos, já anunciou um plano para a desativação dos orelhões. Segundo informações da companhia, a decisão é justificada pela drástica diminuição do uso desses aparelhos, com mais da metade dos pontos registrando menos de uma chamada por dia. “Reconhecemos que os orelhões cumpriram um papel importante na história da comunicação, mas com o avanço das tecnologias móveis, é hora de evoluir. Faremos a desativação de forma responsável, garantindo que os materiais sejam reciclados e que os aparelhos que ainda são essenciais em determinadas regiões permaneçam operacionais até que alternativas viáveis estejam disponíveis”, afirmou um porta-voz da empresa.
A Vivo, outra operadora significativa no setor, também se adaptou às novas exigências regulatórias. A migração de um modelo de concessão para um regime de autorização, conforme o Termo de Autorização nº 1/2025 da Anatel, é uma das mudanças que permitirá à operadora investir em tecnologias mais avançadas, como 4G e 5G. Essa nova abordagem implica o encerramento das obrigações que envolviam a expansão e manutenção dos Telefones de Uso Público (TUPs), mais conhecidos como orelhões.
Com esses novos investimentos, a Vivo planeja ampliar a cobertura de suas redes em mais de mil municípios, além de modernizar a infraestrutura de fibra óptica. No estado de São Paulo, por exemplo, cerca de 28 mil orelhões estavam ainda em operação até o final de 2025, mas o uso desses equipamentos caiu drasticamente, em torno de 93% nos últimos cinco anos. A desativação segue uma estratégia cuidadosamente elaborada, que considera critérios operacionais, de segurança e conformidade regulatória, de acordo com as diretrizes da Anatel.
Os orelhões, que já foram uma tábua de salvação em momentos de emergência, serviram também para criar laços e contar histórias. Eram pontos de encontro e a porta de entrada para comunicações que, muitas vezes, dependiam do famoso “chamada a cobrar”. A nostalgia desse contato humano, mesmo que mediado por um aparelho, é uma parte da memória coletiva que está se dissipando. Com a retirada gradual dos orelhões, uma geração que cresceu com suas campainhas e cabines começa a se despedir de um ícone da comunicação.

