Desentendimentos e Novas Alternativas
A ausência de Eduardo Bolsonaro, que antes liderava as intenções de voto em algumas pesquisas, abriu espaço para ao menos seis políticos se apresentarem como opções para ocupar seu lugar. O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, está se esforçando para formar sua própria chapa no estado, contando com o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), como um dos candidatos ao Senado. O cenário, que ainda carece de definição, pode incluir outro nome do PL, considerando que este ano serão eleitos dois representantes por estado.
Apesar de Eduardo ter sido cassado por faltas pela Câmara dos Deputados, ele não se encontra inelegível. Contudo, aliados afirmam que um retorno dele ao Brasil neste ano é improvável, devido a um processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele é réu por tentativas de coação ao Judiciário, o que pode resultar em uma alta probabilidade de condenação.
Rupturas e Alianças no Interior da Família
Esse cenário de incertezas tem gerado divisões dentro da família Bolsonaro. Eduardo, por exemplo, está tentando promover o deputado estadual Gil Diniz como candidato, tendo feito um pedido direto para que ele concorra ao Senado e mantenha a influência de seu grupo em São Paulo. Os laços entre Eduardo e Diniz são descritos como sólidos, cultivados ao longo de doze anos de amizade e comunicação frequente.
Por outro lado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está fazendo sua parte para fortalecer seu capital político, unindo-se a aliadas de seu projeto, o PL Mulher. Ela incluiu o nome da deputada federal Rosana Valle em pesquisas internas, embora aliados de Valle relatem que ela prefere focar na reeleição, considerada uma opção menos arriscada.
“Qualquer definição sobre 2026 passa pelo partido, pelas composições e pelo momento adequado. Meu foco permanece na reeleição como deputada federal e no mandato que exerço atualmente. Tenho respeito e admiração por Michelle e conversamos muito sobre política, mas não houve um posicionamento concreto sobre uma possível candidatura minha ao Senado”, afirmou Rosana ao GLOBO.
Propostas e Preferências em Conflito
Inicialmente, o PL de São Paulo estava quase decidido a apoiar Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, como candidato. No entanto, Renato tem manifestado preferência por concorrer à Câmara, evitando o risco de uma eleição majoritária, que traz uma alta taxa de exposição e a possibilidade de derrota.
Fontes dentro do PL revelam que, em conversas reservadas, há um desejo crescente do entorno de Tarcísio de apresentar sua própria chapa, que poderia incluir Derrite e um outro nome fora do PL. Enquanto isso, Jair Bolsonaro continua como uma figura central, mas ainda sem expressar uma preferência clara, criando um clima de incerteza e alimentando disputas internas.
Entre os candidatos, o deputado Marco Feliciano é um dos mais proativos, manifestando interesse pela vaga, embora enfrente resistências internas por ser considerado pouco viável e “barulhento demais” para uma competição majoritária em São Paulo.
“Estou aguardando a direção do presidente Bolsonaro. Com a aprovação dele, estou à disposição”, declarou Feliciano.
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, também surge como uma alternativa viável, especialmente por seu apelo junto ao eleitorado da segurança pública, embora ele enfrente forte resistência política na base do prefeito Ricardo Nunes, do MDB. Isso se deve a uma postura fiscalizadora adotada por Mello em relação a contratos e emendas parlamentares, o que gerou atritos com aliados.
A Influência da Família na Política do Estado
No meio desse turbilhão, a falta de definição política pode afetar diretamente o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, que, na tentativa de não se envolver diretamente na disputa, depende da força política de São Paulo para avançar em sua carreira nacional. Aliados do senador argumentam que ele precisa de um palanque forte no estado e sugerem que a família deve apoiar a chapa proposta por Tarcísio, mesmo que isso exclua nomes do PL, como a parceria entre Derrite e Ricardo Salles, do Novo.
Esse grupo acredita que um palanque robusto é essencial para evitar que a direita se fragmentasse no maior colégio eleitoral do país. “A esquerda possui nomes fortes e competitivos. Portanto, nós, da direita, precisamos nos unir para garantir que conquistemos as duas vagas. Se nos dividirmos, corremos o risco de perder uma delas”, afirmou Salles.
Entretanto, a relação da família Bolsonaro com Salles é marcada por tensão: ele deixou o PL após desentendimentos sobre sua vontade de concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2024, o que, segundo a visão bolsonarista, refletiu uma falta de disciplina. O ex-presidente ainda nutre simpatia por Salles, mas aliados reconhecem que apoiá-lo poderia ser visto como validar um “dissidente”, em detrimento de outros nomes do partido.

