Workshop Promove Ação Coletiva na Saúde
No dia 9 de dezembro de 2025, a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP sediou o décimo quarto Workshop Saúde e Direitos Humanos e o sétimo Workshop de Liderança e Mobilização Social. O evento resultou na elaboração de um Plano de Ação Coletivo, que reúne uma série de estratégias práticas com o objetivo de reforçar a participação social na área da saúde, estimular a articulação entre serviços e promover o exercício ativo da cidadania nos territórios.
O plano foi construído a partir de debates em diversas salas temáticas, culminando em uma plenária que discutiu desafios concretos enfrentados na zona Oeste de Ribeirão Preto. Dentre os pontos abordados, destacam-se a superação de barreiras linguísticas e culturais no cuidado, o fortalecimento da conexão entre profissionais e serviços, e a ampliação da participação em conselhos e espaços coletivos, além de um investimento em formação política continuada para trabalhadores e estudantes.
Um Encontro de Trocas e Reflexões
O workshop contou com a presença de estudantes, profissionais da saúde, educação, Direito e lideranças comunitárias, criando um ambiente propício para a troca de experiências e reflexão crítica sobre temas como desigualdade social, interculturalidade e democracia. A realização do evento coincidiu com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o que ressaltou seu caráter político e formativo, relembrando que a defesa de direitos é uma construção cotidiana nos serviços e relações sociais.
Coordenado pela professora Carla Ventura, o workshop promoveu uma abordagem interdisciplinar sobre o papel da universidade e de diferentes segmentos profissionais na transformação social. Durante a abertura, Ventura destacou que a participação social é parte intrínseca do conceito de saúde e que a liderança se manifesta nas práticas diárias, seja em uma unidade básica de saúde, em uma escola ou em um centro de assistência social.
Debates Baseados em Casos Reais
Os participantes foram organizados em quatro salas temáticas, cada uma delas abordando um caso inspirado em situações reais da região Oeste da cidade, que abriga famílias em bairros populares e a comunidade indígena Warao. As discussões enfocaram desafios intersetoriais que envolvem saúde, educação, justiça e organização social.
Os temas debatidos incluíram barreiras linguísticas e interculturais no acesso à atenção básica para populações indígenas, as dificuldades de acolhimento escolar e a segurança alimentar de crianças refugiadas, o esvaziamento de espaços de participação social e a análise dos limites e possibilidades do protagonismo estudantil na região. As mediadoras das atividades foram lideranças convidadas, que reuniram representantes de organizações da sociedade civil, profissionais dos serviços locais, membros de conselhos de saúde e estudantes.
Análise de Desafios e Potencialidades
Na plenária final, as análises das propostas realizadas nas salas temáticas culminaram em um diagnóstico coletivo. Os participantes identificaram desafios como a fragmentação das políticas públicas, a sobrecarga dos trabalhadores, a baixa participação em espaços institucionais e o sentimento de isolamento na mobilização social. No entanto, o grupo também reconheceu potências, como o compromisso ético com os direitos humanos, a sensibilidade intercultural e o engajamento dos estudantes para enfrentar problemas estruturais.
As estratégias sugeridas incluem a criação de espaços regulares para troca de experiências e formação política, o mapeamento das ações existentes na cidade, a ampliação da divulgação sobre serviços e direitos e a inclusão, nos currículos acadêmicos, de conteúdos que abordem o cuidado de populações imigrantes, refugiadas e povos originários.
Exposição Fotográfica e Compromisso com a Educação Crítica
O workshop também contou com a exposição “Onde está a Participação Social”, elaborada por estudantes do primeiro ano da Licenciatura em Enfermagem, utilizando o método photovoice. As fotografias retratam momentos do cotidiano e da vida acadêmica, revelando a presença e a ausência da participação social. A estudante Heloísa Menez Marques destacou que as imagens mostram que a participação muitas vezes se manifesta em gestos silenciosos, aguardando um olhar atento.
A exposição ficará acessível nos corredores do bloco didático da EERP e será retomada no início do próximo semestre, em 23 de fevereiro de 2026. Para a organização do evento, o encontro reafirma o compromisso da EERP com uma formação crítica, a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento dos vínculos entre a universidade e a comunidade, destacando que a transformação social acontece no cotidiano e nas relações interpessoais.

