Uma Reflexão Profunda sobre Memória e Afeto no Teatro
O ator e diretor Aury Porto traz ao público o emocionante espetáculo “Meu Nome: Mamãe”, que será apresentado nesta terça-feira, 24 de fevereiro, no Sesc Ribeirão Preto, e na quarta-feira, 25 de fevereiro, no Sesc Piracicaba. Ambas as apresentações são gratuitas e se inserem numa turnê por oito cidades do interior paulista, uma iniciativa da Mundana Companhia, com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Inspirado pela relação de Porto com sua mãe, que convive com o Mal de Alzheimer há quase duas décadas, o espetáculo solo constrói uma dramaturgia que se destaca pela sensibilidade e pela profundidade emocional. Nele, as personagens Filho e Mãe se alternam em um delicado jogo de troca de “máscaras”, permitindo que a narrativa transite entre a memória fragmentada da pessoa com a doença e um ambiente onírico, onde imagens e situações emergem do inconsciente.
No Brasil, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas enfrentam o Alzheimer, com cerca de 100 mil novos diagnósticos a cada ano. “Meu Nome: Mamãe” propõe uma nova perspectiva sobre essa realidade alarmante, transformando dados frios em uma experiência estética que convida o público a ver a doença não só como um apagamento, mas como uma forma de presença que ainda carrega humanidade e afeto.
A obra marca a estreia de Aury Porto no universo da autoficção, fruto de um desejo de levar ao palco histórias que, durante anos, foram compartilhadas de maneira bem-humorada entre amigos, apesar da seriedade do tema. A direção de Janaina Leite intensifica essa abordagem autobiográfica, imergindo-a no contexto dos teatros do real, onde a vida e a linguagem cênica se mesclam. “A forma como essa família lida com a doença abre uma nova dimensão de presença. A abordagem lúdica encontrada para essa convivência reflete o próprio teatro no encontro com a vida”, destaca a diretora.
A dramaturgia, criada por Claudia Barral, é um mosaico que entrelaça relatos pessoais, ações cênicas, diálogos fragmentados e depoimentos, resultando em uma obra que retrata o cotidiano. “Essas cenas, ao serem tocadas pela condição do Alzheimer, não buscam o esquecimento, mas conduzem a uma transformação”, resume a dramaturga e psicanalista.
Visualmente, o espetáculo utiliza elementos cotidianos de maneira simbólica. A direção de arte de Flora Belotti incorpora objetos realistas, tecidos crus e referências ao sertão nordestino, criando um ambiente que ressoa com a história de uma vida. A trilha sonora original de DiPa interage com memórias afetivas do Cariri, no Ceará, enquanto a iluminação, sob responsabilidade de Ricardo Morañez, brinca com sombras, projeções e estados de fantasia.
Além de seu valor artístico, “Meu Nome: Mamãe” desempenha um papel social importante ao fomentar discussões sobre as doenças que afetam o envelhecimento. “Estamos mudando de uma sociedade centrada na juventude e precisamos prestar atenção à velhice como um fenômeno social”, observa Aury Porto. A montagem sugere, assim, um novo olhar: da perda para a relação, do esquecimento para a presença, do tabu para o afeto.
Serviço
Espetáculo: “Meu Nome: Mamãe”
Data: 24 de fevereiro
Horários: 16h e 19h30
Local: Auditório Sesc Ribeirão Preto
Endereço: Rua Tibiriçá, 50 – Centro
Ingressos: Gratuitos, disponíveis uma hora antes da apresentação.
• A sessão das 19h30 contará com interpretação em Libras e uma conversa com a equipe após o espetáculo.
Data: 25 de fevereiro
Horários: 14h e 20h
Local: Teatro Sesc Piracicaba
Endereço: Rua Ipiranga, 155 – Centro
• A sessão das 20h contará com interpretação em Libras e uma conversa com a equipe após a apresentação.

