Trajetória e Polêmicas de Fabiana Bolsonaro na Alesp
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) foi alvo de uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) após sua recente aparição em plenário, onde utilizou técnicas de ‘blackface’. Contudo, é importante esclarecer que Fabiana não pertence à família do ex-presidente Jair Bolsonaro; ela adotou o sobrenome por motivos estratégicos durante a eleição de 2022, visando alinhar-se ideologicamente ao ex-presidente e suas pautas conservadoras.
Na realidade, Fabiana de Lima Barroso Souza é filha do pastor evangélico Adilson Barroso, que é o fundador e presidente do antigo Partido Patriota, hoje denominado Partido Renovação Democrática (PRD). Apesar de atuar por anos nos bastidores políticos, Barroso nunca conseguiu ser eleito para um cargo público. Ele incentivou a filha a seguir a carreira política e a adotar uma postura conservadora, similar à de Jair Bolsonaro.
A deputada, que possui 30 anos e é formada em Direito, já ocupou o cargo de vice-prefeita em Barrinha, uma cidade do interior de São Paulo, entre 2021 e 2023. Em 2022, foi eleita para a Alesp com um expressivo número de 65.497 votos. Na Assembleia, Fabiana declara seu orgulho de integrar a Frente Parlamentar Evangélica, a popular Bancada Evangélica.
Além disso, a deputada está atualmente cursando Jornalismo e Gestão Pública. Na Alesp, participa de três comissões permanentes: a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres, e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação.
Pedido de Apuração e a Questão do Blackface
O pedido protocolado por 18 deputados de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB no Conselho de Ética visa apurar uma suposta quebra de decoro parlamentar, baseada nas declarações e na performance de Fabiana durante a 27ª sessão ordinária no dia 18. Durante o discurso, a deputada se pintou de marrom e fez polêmicas afirmações sobre identidade de gênero.
O ato de blackface é considerado uma prática racista, por remeter a estereótipos que têm sido historicamente usados para desumanizar e ridicularizar pessoas negras. Na representação, os parlamentares alegam que a conduta de Fabiana não só foi discriminatória, mas também ultrapassou os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar, sendo intencional e provocativa.
O documento ainda ressalta que o uso do blackface, especialmente em um ambiente institucional como a Alesp, representa um ato de “revitimização coletiva” e é incompatível com os princípios de dignidade e igualdade estabelecidos na Constituição. Além disso, a situação pode se enquadrar na Lei nº 7.716/1989, que define crimes de racismo.
Recentemente, a deputada Monica Seixas (PSOL) também registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) contra Fabiana, alegando racismo.
Reação nas Redes Sociais e Declarações da Deputada
Nas mídias sociais, Fabiana se defendeu das críticas, afirmando que sua fala estava sendo distorcida. A deputada argumentou que a representação política deve ser feita por pessoas que vivenciam realidades distintas, sem que um grupo tire o espaço do outro. “As mulheres merecem ser representadas por mulheres, os negros merecem ser representados por negros e os travestis também merecem ser representados”, declarou.
Em resposta à repercussão, a Alesp comentou que o Conselho de Ética é o responsável por analisar casos que excedem a imunidade parlamentar, ressaltando que a Constituição garante a inviolabilidade dos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos.
Entendendo a Polêmica do Blackface
Na Alesp, Fabiana Bolsonaro gerou controvérsia ao usar o blackface como uma retórica para argumentar que pessoas trans não poderiam ser consideradas mulheres. Durante seu discurso, ela questionou se a simples maquiagem poderia torná-la uma pessoa negra, estabelecendo uma comparação com a luta das mulheres transexuais.
Esse tipo de manifestação acendeu um debate acalorado nas redes sociais e trouxe à tona questões de racismo e discriminação. A advogada Dina Alves comentou que a prática do blackface pode ser considerada crime, reforçando a ideia de que o uso de representações negativas da população negra perpetua a violência e a negação de cidadania.
O ‘blackface’, que remonta a práticas teatrais do século 19 nos Estados Unidos, foi utilizado para criar estereótipos negativos e justificar a opressão da população negra. No Brasil, essa prática também é vista como desrespeitosa, especialmente em contextos como o carnaval, onde pessoas brancas se fantasiam de forma caricatural.
A situação envolvendo Fabiana Bolsonaro revela como a política pode ser um espaço de intensos conflitos ideológicos e sociais, e como as palavras e ações dos representantes têm impactos diretos na sociedade.

