MPF Investiga Cursos com Desempenho Insatisfatório
Em 2026, o Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma investigação abrangente que visa avaliar o desempenho de diversos cursos de medicina no Brasil. O foco está nas instituições que apresentaram resultados considerados fracos no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), um indicador importante da qualidade do ensino na área.
A investigação abrange dez faculdades, sendo oito delas privadas e duas de gestão municipal, localizadas em estados como São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Piauí. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Desempenho Abaixo do Ideal
As instituições que estão sendo avaliadas não conseguiram atingir notas superiores a 2 no Enamed, uma pontuação que o Ministério da Educação (MEC) considera como um sinal de deficiências significativas na formação dos alunos. Essa situação levanta preocupações sobre a qualidade do ensino e a preparação dos futuros médicos.
Um dos aspectos mais críticos em análise é o internato, que corresponde aos dois últimos anos do curso de Medicina. Essa fase é fundamental para a prática hospitalar dos estudantes, e dificuldades nesse período podem comprometer a formação dos profissionais de saúde que irão atuar no país.
Faculdades na Lista de Investigação
As faculdades sob investigação pelo MPF incluem:
- Centro Universitário de Adamantina (SP) – nota 1;
- Centro Universitário de Santa Fé do Sul (SP) – nota 2;
- Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto (SP) – nota 2;
- Universidade Nove de Julho (SP) – nota 2;
- Centro Universitário Estácio do Pantanal (MT) – nota 1;
- Universidade de Cuiabá (MT) – nota 2;
- Faculdade Metropolitana (RO) – nota 1;
- Centro Universitário Aparício Carvalho (RO) – nota 2;
- Afya Centro Universitário de Porto Velho (RO) – nota 2;
- Afya Faculdade de Parnaíba (PI) – nota 2.
Possíveis Consequências para as Instituições
A obtenção de notas baixas pode acarretar severas implicações para as faculdades de medicina investigadas. Entre as possíveis sanções estão a suspensão de novas vagas, além de restrições no acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Esses fatores impactam diretamente tanto as instituições quanto os estudantes que dependem desse financiamento para dar continuidade aos seus estudos.
É importante destacar que, no último Enamed, apenas 13,6% dos cursos de medicina alcançaram a nota máxima de 5. Em cerca de 89 mil alunos que participaram do exame, um terço das instituições obteve notas 1 ou 2, o que levanta questões relevantes sobre a eficácia dos processos educacionais em áreas tão críticas.
A distribuição das notas no Enamed é a seguinte:
- Nota 1: 7,1% dos cursos;
- Nota 2: 23,6% dos cursos;
- Nota 3: 22,7% dos cursos;
- Nota 4: 33%;
- Nota 5: 13,6%.
Com o avanço das investigações, espera-se que sejam direcionadas melhorias nas práticas educacionais nas faculdades de medicina, buscando garantir uma formação de qualidade e a preparação adequada dos futuros profissionais da saúde no Brasil.

