Conexão entre Agricultura e Consumidores
Desde julho de 2025, a Embrapa Meio Ambiente realiza mensalmente uma feira agroecológica que aproxima agricultores do Assentamento Sepé Tiaraju, localizado em Ribeirão Preto, de consumidores interessados em alimentos saudáveis e sustentáveis. Essa iniciativa ressalta a rica diversidade da produção agroflorestal do assentamento, que foi estabelecido em 2004 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e é reconhecido como um Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS).
A feira é resultado do Projeto REDEFORT e é organizada em colaboração com o Grupo de Consumo Agroecológico Sepé Tiaraju (GCA). Essa articulação envolve pesquisadores e analistas da Embrapa Meio Ambiente, além de agricultores assentados e estudantes da Universidade de São Paulo (USP), campus Ribeirão Preto.
Luiz Octávio Ramos Filho, pesquisador da Embrapa, explica que o GCA foi criado em 2019 e tem recebido apoio contínuo da equipe de agroecologia da instituição. O modelo de comercialização adotado prioriza relações justas, transparentes e diretas entre produtores e consumidores, proporcionando um ambiente de co-gestão.
Produção Sustentável e Diversidade Alimentar
A produção no Assentamento Sepé Tiaraju busca equilibrar a conservação ambiental com a diversidade agrícola e o fortalecimento do trabalho familiar. O local se transforma em um espaço de geração de renda, segurança alimentar e preservação da biodiversidade.
A feira oferece uma variedade de alimentos frescos, incluindo cará roxo, jiló, limão tahiti, mamão e diferentes tipos de banana, entre outros produtos sazonais. Além dos alimentos frescos, os consumidores podem encontrar itens secos e processados, como chips de banana e mandioca, farinhas (mandioca crua e puba), feijão de corda, gergelim em diversas apresentações, cúrcuma, colorau e ervas desidratadas como melissa e manjericão. Todos os produtos são cultivados em sistemas agroecológicos e agroflorestais, com o suporte técnico da Embrapa Meio Ambiente.
Empreendedorismo e Inovação Rural
Myrian Ramos, analista do projeto REDEFORT, enfatiza que a feira também serve como um espaço para inovação e empreendedorismo, especialmente feminino. Um exemplo disso é Edna Correia Della Noce, agricultora que fundou a marca Della Terra, focada na produção de biocosméticos naturais. Edna começou a desenvolver produtos artesanais utilizando insumos de sua agrofloresta e de outros produtores agroecológicos após participar de um curso sobre óleos essenciais. Sua linha de cosméticos é composta por ingredientes como óleos vegetais e extratos botânicos, oferecendo uma alternativa saudável aos produtos convencionais que contêm aditivos sintéticos.
“Ao trabalhar com os óleos, percebi que poderia juntar saúde, cuidado ambiental e um vínculo com a terra”, afirma Edna, que comercializa seus produtos tanto na feira quanto em plataformas digitais, como Instagram e seu site oficial.
Vitrine de Sustentabilidade e Consumo Responsável
O caso da Della Terra exemplifica como a agroecologia pode abrir portas além da alimentação, interligando ciência, inovação social e consumo responsável. A feira na Embrapa Meio Ambiente vai além de um simples espaço de compra, tornando-se um espaço para demonstrar que a reforma agrária também pode ser sinônimo de sustentabilidade, biodiversidade e empreendedorismo.
Para informações adicionais sobre o Grupo de Consumo Agroecológico Sepé Tiaraju, você pode visitar o perfil no Instagram: https://www.instagram.com/gca.sepetiaraju/.
Para conhecer os produtos da Della Terra, acesse a página do Instagram: https://www.instagram.com/p/DAi034Hgqqe/.

