Uma Noite de Ritmos e Tradições
No último sábado, dia 17, a Praça Constantino Gomes, em São José da Coroa Grande, transformou-se em um vibrante espaço cultural durante o segundo dia do Festival Pernambuco Meu País – Edição Verão. Com entrada franca, o evento celebrou a diversidade musical brasileira, apresentando uma programação rica que incluiu matrizes afro-pernambucanas, o forró nordestino e o axé. O festival não apenas reafirmou seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, mas também impulsionou o turismo na costa sul do estado.
A noite começou com a apresentação do Maracatu Nação Camaleão, um dos ícones da cultura afro-pernambucana, que trouxe sua percussão ancestral e energia contagiante ao público. Com mais de 35 anos de história, o grupo, originário de Olinda, encantou os presentes com seus ritmos e tradições que representam décadas de resistência cultural.
Em seguida, às 19h, foi a vez do forrozeiro Juarez assumir o palco. O cantor cearense, conhecido por sua passagem em bandas renomadas como Magníficos e Mastruz com Leite, apresentou um repertório que misturou suas composições autorais a clássicos do forró. “O governo do estado tem feito muita coisa bacana, apoiando nossa cultura raiz e isso é essencial”, comentou Juarez, celebrando a valorização das tradições locais e a nova iniciativa que destaca as praias pernambucanas.
“Esse evento valoriza todos os artistas e suas vertentes. Trouxemos a energia do sertão para o litoral, e o público participou como se estivesse em uma verdadeira festa”, acrescentou o cantor com entusiasmo.
Artistas e Público em Comunhão
Logo depois, às 20h30, Nathália Calasans subiu ao palco e conquistou a plateia com sua impressionante habilidade vocal. A artista passeou por sucessos do forró e por novas canções, apresentando uma abordagem autoral que fez um belo diálogo entre a tradição e a modernidade. “Pernambuco Meu País é crucial para nós, artistas pernambucanos, pois eleva nossa cultura e história”, afirmou Nathália, visivelmente emocionada com a resposta do público.
Com a praça lotada, o momento mais esperado da noite chegou às 22h30, quando Zezo, conhecido como o “príncipe dos teclados”, animou a multidão. O artista, um dos mais populares do Nordeste, fez com que todos cantassem em uníssono suas grandes canções, como “Decida” e “Meu Vício é Você”. “É gratificante estar aqui, especialmente porque tenho uma longa história com Pernambuco”, comentou Zezo, refletindo sobre a recepção calorosa que sempre recebeu no estado.
Para encerrar a noite, a banda baiana Timbalada entrou em cena às 0h30, trazendo a força da percussão afro-brasileira para o festival. Com um repertório que incluiu clássicos do axé e do samba-reggae, como “Beija-Flor” e “Margarida Perfumada”, o grupo proporcionou um espetáculo vibrante que conectou a cultura baiana ao Litoral Sul de Pernambuco. Denny Denan, um dos vocalistas, destacou a importância da troca cultural entre as duas regiões: “A Bahia deve muito a Pernambuco, pois o frevo foi fundamental para o Carnaval de Salvador”.
O Festival e Seu Impacto Cultural
Promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Empetur, o Festival Pernambuco Meu País visa fortalecer as políticas culturais do estado e democratizar o acesso à cultura. A edição de verão, que começou em dezembro, tem se expandido por várias cidades, levando uma programação cultural diversificada a regiões fora do eixo da capital.
Além de promover grandes nomes da música, o festival também é um motor econômico, impactando diretamente setores como turismo e comércio. Em sua edição anterior, o evento gerou mais de R$ 200 milhões em movimentação nas cidades que visitou, provando que a cultura é um importante vetor para a geração de empregos e renda.
Para este domingo, dia 18, a programação continua na Praça Constantino Gomes, com uma linha dedicada ao pagode e samba, começando às 18h com a Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos. Estão previstos ainda os shows de Helena Cristina, Grupo Revelação, Alexandre Pires e Ferrugem, com discotecagem por DJ Salvador nos intervalos. O festival reafirma seu papel como um espaço de inclusão social e valorização das economias locais.

