PSD Expande Influência em São Paulo
Na semana passada, o PSD, liderado por Gilberto Kassab, fez um movimento significativo ao anunciar a filiação de seis dos oito deputados estaduais do PSDB em São Paulo. Este evento marca um novo capítulo na crescente absorção do partido tucano pelo PSD, que se intensifica em um cenário onde o PSDB, tradicionalmente forte, tem enfrentado perdas de espaço em seu estado de origem. A situação gerou reações na cúpula tucana, que vê na migração uma ameaça à sua identidade e à sua relevância política.
Nos últimos anos, o PSD tem se consolidado como uma força a ser reconhecida. No último pleito municipal, o partido conquistou 207 prefeituras em São Paulo, enquanto o PSDB alcançou apenas 21. Essa diferença é alarmante para os tucanos, que, quatro anos antes, haviam vencido em 173 cidades. O movimento de Kassab não apenas demonstra a força do PSD, mas também revela uma fraqueza significativa do PSDB em manter sua base política.
Um levantamento feito pelo GLOBO indica que, entre os 83 prefeitos e vice-prefeitos do PSDB que tentaram a reeleição, 45 optaram pela filiação ao PSD, seguindo o mesmo caminho dos deputados. A maioria dessas migrações ocorre em cidades de médio e pequeno porte, refletindo uma estratégia clara de Kassab em atrair lideranças locais.
Perdas e Reações no PSDB
Após a absorção de tucanos pelo PSD, Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, comentou sobre a estratégia de Kassab. Em suas palavras, ele comparou a atuação do PSD a um “fundo abutre”, sugerindo que o partido busca enfraquecer os tucanos para depois “comprar na baixa”. Aécio enfatizou que “o PSDB não está à venda”, ressaltando a necessidade de o partido ter um projeto claro para o Brasil, em oposição à abordagem do PSD.
Os desafios enfrentados pelo PSDB são amplamente reconhecidos no cenário político. Após anos de disputas internas e uma crise de identidade, a legenda perdeu seu protagonismo nas últimas eleições, especialmente após apoiar a candidatura de Simone Tebet à presidência em 2022, não apresentando um candidato próprio. Essa situação levanta preocupações sobre o futuro financeiro do partido, que se encontra na 10ª posição em termos de financiamento público eleitoral, um fator crucial para a manutenção de sua estrutura de campanha.
Consequências para Prefeitos e Lideranças
Entre os antigos líderes de prefeituras que deixaram o PSDB, casos emblemáticos chamam a atenção. O ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, tornou-se vice de Tarcísio de Freitas, enquanto outros como Duarte Nogueira, de Ribeirão Preto, e Orlando Morando, de São Bernardo do Campo, também se filiaram ao PSD ou abandonaram o partido. Este êxodo revela um descontentamento crescente com a atual direção do PSDB e suas estratégias.
Por outro lado, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André e agora presidente estadual do PSDB, permanece no partido e anuncia uma possível candidatura ao governo. Em resposta às alegações de que o PSD absorveu o PSDB, ele foi claro: “Não se absorve um conceito, ainda mais sendo base de apoio do PT no plano nacional.” Essa declaração reflete a resistência de alguns líderes em aceitar a realidade atual do partido.
O Papel de Kassab e o Futuro do PSD
Comandando três ministérios, o PSD, sob a liderança de Kassab, tem se mostrado uma máquina política eficiente. Apesar de sua estrutura ser relativamente nova, inaugurada em 2011, o partido se consolidou como um dos que mais governa prefeituras no Brasil. Kassab, que também ocupa o cargo de secretário de Governo, é responsável por gerenciar convênios e parcerias com os municípios, o que levanta questões sobre a ética e as estratégias utilizadas para atrair prefeitos, embora ele tenha negado qualquer prática irregular.
Até o momento, Kassab mostrou-se eficaz em atrair figuras políticas influentes, como os governadores de Goiás e Rondônia, ambos do União Brasil. Essa estratégia de incorporar líderes reconhecidos fortalece a militância do partido e sua presença nas eleições futuras. O PSD, com seu crescimento, traz à tona desafios e preocupações para o PSDB, que, se não se reinventar, poderá enfrentar uma crise ainda mais profunda em sua trajetória política no estado de São Paulo.

