Impactos severos das baixas temperaturas
A brasileira Mariana Nice, que reside em Milão, compartilhou ao g1 como as temperaturas extremamente baixas têm afetado sua rotina na cidade italiana, onde os termômetros chegaram a marcar impressionantes -5°C neste mês. ‘Esse ano está realmente muito frio aqui em Milão, assim como em grande parte da Europa. Mesmo morando aqui há um bom tempo, ainda me sinto desafiada por esse clima. A sensação é que o frio penetra até os ossos’, comentou Mariana.
A onda de frio que atinge Milão é resultado da tempestade Goretti, que se intensificou rapidamente nos últimos dias, trazendo neve, gelo e ventos fortes por diversas regiões do continente europeu. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), essa tempestade facilitou a vinda de uma massa de ar polar que permanece na Europa há vários dias, contribuindo para a permanência do frio intenso e para a ocorrência de nevões persistentes.
A situação não se restringe apenas à Itália. Países como Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos, Espanha, Irlanda e regiões dos Bálcãs também estão enfrentando os efeitos severos desse inverno rigoroso, que incluem transtornos no transporte aéreo e ferroviário, além de cortes de energia e suspensão de serviços.
Frio intenso altera hábitos diários
Mariana, natural de Ribeirão Preto (SP), destacou que a combinação de frio e umidade, característica de Milão, tem potencializado ainda mais a sensação térmica. ‘É crucial tomar cuidados constantes para se proteger do frio. Roupas térmicas, casacos pesados e acessórios de inverno se tornaram indispensáveis para qualquer saída’, ressaltou. Ela relata que, apesar de já ter se habituado a viver na Itália, a diferença climática continua a ser um desafio. ‘Estou acostumada com o calor de Ribeirão Preto. Aqui, em Milão, é impossível sair sem um casaco robusto e uma blusa térmica. Este ano está ainda mais frio do que no ano passado’, afirmou.
As temperaturas congelantes também têm afetado os hábitos de lazer da brasileira. Mariana conta que os passeios ao ar livre foram drasticamente reduzidos e que bares e restaurantes passaram a ser frequentados quase que exclusivamente em ambientes internos, já que ficar do lado de fora tornou-se inviável. ‘Mesmo com aquecedores e cobertinhas disponíveis, simplesmente não está ajudando. Ultimamente, tem sido impossível permanecer no exterior’, completou.
Desafios nas primeiras horas do dia
Logo nas primeiras horas do dia, o frio intenso se torna um desafio. As temperaturas negativas durante a madrugada fazem com que o gelo se acumule nos carros, especialmente nos vidros, aumentando o tempo necessário antes de sair de casa. Para Mariana, a rotina de sair de carro, que costumava ser rápida, agora exige muito mais atenção. ‘Antes, eu entrava no carro, ligava e ia. Agora, é uma tarefa complicada. Especialmente pela manhã, preciso limpar o vidro, que sempre fica coberto de gelo. Não tem nevado em Milão ainda, mas o gelo é frequente’, explicou.
Dentro de casa, a situação não é diferente. O aquecedor permanece ligado praticamente o dia todo para tentar manter o ambiente aquecido. Mariana relata que, mesmo com essa precaução, ela ainda precisa de roupas quentes e cobertores para se sentir confortável. ‘Meus amigos italianos também percebem que este inverno está sendo mais rigoroso do que os anteriores, especialmente aqui em Milão, que normalmente é mais amena do que outras regiões do país’, comentou Mariana.
Acostumada ao calor, Mariana conclui que, mesmo após quase nove anos vivendo na Itália, conseguir se adaptar ao frio severo continua sendo um desafio. ‘Ainda não consigo me acostumar com este clima’, enfatizou.

