A Atualização das Gêmeas Heloísa e Helena
Na manhã desta quarta-feira (4), uma coletiva de imprensa trouxe informações detalhadas sobre o estado de saúde das gêmeas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça. O anúncio foi feito pelos médicos responsáveis pelo tratamento das meninas, que revelaram os resultados da última cirurgia e os planos futuros. Realizada no último sábado, a operação contou com a colaboração de mais de 50 profissionais de saúde e apoio, o que possibilitou uma separação de 75% do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados.
O neurocirurgião pediátrico Marcelo Volpon destacou a importância do planejamento cirúrgico: “O que fizemos foi seguir nosso planejamento. A cirurgia em etapas é fundamental para alcançar os melhores resultados e minimizar complicações. Avançamos significativamente na separação; já tínhamos desfeito os vínculos de ambos os lados e agora progredimos para um novo ângulo, separando vasos sanguíneos vitais e parte do cérebro que as gêmeas compartilhavam”.
Faltam Duas Cirurgias
De acordo com os médicos, as gêmeas ainda precisam passar por mais duas cirurgias até a separação total, prevista para ocorrer ainda este ano. O próximo procedimento está agendado para o dia 21 de março e focará na preparação para a separação final, que deve acontecer no final de junho.
Jayme Farina Junior, coordenador e cirurgião plástico, enfatizou a necessidade de implantar expansores de pele nas meninas. “Esses expansores vão servir para esticar a pele suficiente para o fechamento dos crânios. A expansão é gradual e culminará com a separação total programada para o final de junho”, explicou.
Ele também detalhou como funcionam os expansores, que são bolsas de silicone colocadas vazias sob a pele. “Semanalmente, injetamos uma solução salina nessas bolsas, o que promove a expansão da pele, semelhante ao que acontece com a barriga de uma gestante”, comparou.
Uma Vida Normal Após a Separação
Marcelo Volpon também comentou sobre o que esperar após a separação. Ele acredita que as gêmeas enfrentarão um período de adaptação, mas vislumbra um futuro normal para elas: “Esperamos que, apesar de algumas restrições no início, elas consigam levar uma vida normal, como qualquer criança, inclusive frequentando a escola e socializando”.
Após a terceira cirurgia de separação dos crânios, que foi um sucesso, as gêmeas estão se recuperando bem, como confirma uma imagem publicada pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
Histórico das Cirurgias
O processo cirúrgico das gêmeas Heloísa e Helena começou em agosto do ano passado, com o primeiro de cinco procedimentos. Desde então, elas estão sob acompanhamento médico contínuo. O segundo procedimento ocorreu em novembro de 2022 e durou cerca de dez horas, resultando em uma internação de 19 dias.
Amarildo Batista da Silva, pai das meninas, tem acompanhado de perto cada etapa do tratamento e expressou a ansiedade pela separação completa. “Estou ansioso para que elas possam se ver e brincar juntas. O medo é natural, mas elas precisam passar por essa separação”, declarou.
Referência em Separações de Gêmeos Siameses
O caso das gêmeas de São José dos Campos é o terceiro conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, instituição reconhecida nacionalmente por sua expertise em cirurgias de separação de gêmeos siameses. O primeiro procedimento ocorreu em 2018, quando as irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará, foram separadas. O segundo caso envolveu as gêmeas Alana e Mariah, que após uma complexa cirurgia de 25 horas, tiveram a separação definitiva em agosto de 2023.

