Gramados Sintéticos e a Segurança dos Atletas
O uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro completa uma década em 2026 e, ao longo desses anos, tem enfrentado críticas de clubes e torcidas sobre o possível risco de lesões para os jogadores. Paulo Santiago, professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto, da USP, esclarece que, até o momento, não existem estudos que demonstrem que os gramados sintéticos provocam mais lesões do que os gramados naturais.
“Não existem evidências de que gramados sintéticos causem um aumento no número de lesões”, afirma Santiago. Contudo, ele destaca que há diferenças significativas entre os dois tipos de gramado. O gramado natural, por ser menos fixo, cede mais facilmente aos movimentos dos atletas. Por outro lado, o gramado sintético possui uma adesão superior, o que pode agravar a gravidade das lesões, embora sem comprovações de que isso se traduza em um aumento efetivo das lesões.”
O especialista também menciona que as lesões decorrentes do uso de gramados sintéticos tendem a ser diferentes. “No caso do gramado artificial, as agressões à pele são mais frequentes ao cair, devido ao atrito mais intenso. Comparado ao gramado natural, que proporciona uma experiência menos agressiva à pele, os atletas podem sofrer mais com cortes e abrasões ao se envolverem em jogadas.”
Gramados Sintéticos em Outros Esportes
Santiago ressalta que o uso de gramados sintéticos não é uma exclusividade do futebol. “Diversos esportes utilizam gramados artificiais, e o debate sobre sua utilização é comum. Na National Football League (NFL), no rugby e até no tênis, há discussões acaloradas sobre os benefícios e desvantagens dos gramados naturais em relação aos sintéticos.”
Por exemplo, Wimbledon, um dos torneios de tênis mais tradicionais do mundo, ainda opta pelo gramado natural, mantendo sua tradição. No entanto, a questão da utilização de gramados sintéticos também vem à tona, especialmente quando consideramos a durabilidade e a manutenção dos campos. Em muitos casos, o saibro é preferido, mesmo sendo uma superfície natural feita de pó de tijolo, mas a possibilidade de retorno a superfícies mais artificiais também é discutida entre atletas e gestores.”
A Solução dos Campos Híbridos
Uma alternativa que ganha destaque nas conversas sobre gramados é o modelo híbrido. Paulo Santiago explica: “O campo híbrido é uma abordagem que combina o melhor dos dois mundos. Técnicas inovadoras permitem a costura de tufos de grama natural e sintética, criando um campo que mistura as características dos dois tipos de gramado.”
Ele ilustra essa combinação com uma analogia: “Imagine uma lasanha, onde a parte inferior é ocupada por gramado sintético e, na superior, o gramado natural é inserido. Isso pode ser feito de forma intercalada, semelhante a um mosaico. É como preparar um jardim, onde o fundo é estruturado para apoiar a superfície, proporcionando a flexibilidade e a resistência necessárias.”
Essa técnica pode ser a solução para manter a integridade física dos atletas e garantir que as superfícies de jogo sejam tanto seguras quanto agradáveis. Com as inovações tecnológicas avançando, os gramados híbridos podem se tornar a opção preferencial para muitos esportes, equilibrando desempenho e segurança, conforme a indústria esportiva continua a evoluir.

