Desafios e Estratégias do Pré-Candidato do PT em Atração de Votos do Agronegócio
Em São Paulo, a popularidade de Fernando Haddad junto aos produtores rurais parece distante. De acordo com representantes do setor agropecuário, o atual governo do PT é visto com desconfiança, especialmente após relatos de que a responsabilidade pela quantidade recorde de pedidos de recuperação judicial no agro recai sobre as gestões anteriores. Um interlocutor do agronegócio ressalta que a alta taxa Selic, que atualmente é de 14,75% após uma leve queda de 0,25%, dificulta a recuperação dos produtores. A taxa, que esteve estável em 15% desde junho de 2025, gera uma pressão que muitos acreditam ser responsável pela situação crítica enfrentada por agricultores e pecuaristas.
O ano passado registrou um marco negativo para o agronegócio brasileiro, com 1.990 pedidos de recuperação judicial, o que representa um crescimento alarmante de 56,4% em comparação a 2024, conforme dados da Serasa Experian. O aumento dos gastos governamentais e a resistência do Banco Central em reduzir os juros, devido à pressão inflacionária, têm sido associados à deterioração fiscal do país. A falta de um posicionamento claro do governo em relação ao corte de despesas aumenta a apreensão entre os trabalhadores do campo.
Além das questões econômicas, Haddad enfrenta outra dificuldade: a proposta de taxação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Essas letras, que financiam empréstimos destinados a produtores para aquisição de maquinário e insumos, foram alvo de uma medida que preveria tributos de 5% sobre os rendimentos a partir de janeiro de 2026. No entanto, essa Medida Provisória não obteve aprovação no Congresso, levando a um descontentamento ainda maior entre os ruralistas.
Os apelos dos agricultores não se limitam apenas à economia. Fazendeiros também criticam o apoio do PT a movimentos de sem-terra, que têm promovido invasões em propriedades rurais por todo o estado, incluindo o interior de São Paulo. Essa situação gera um clima de revolta e resistência ao nome de Haddad.
Por outro lado, uma fonte do setor rural aponta que a relação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com prefeitos do interior não está em sua melhor fase, o que poderia abrir um espaço para a estratégia de Haddad. A falta de diálogo e o represamento de recursos são pontos de discórdia, mas isso não garante que os produtores farão campanha por Haddad, mesmo considerando a possibilidade de se oporem a Tarcísio.
Ainda assim, a presença de Geraldo Alckmin (PSB) como o principal nome da chapa de esquerda poderia mudar o cenário. O ex-governador, que ficou à frente do estado por 13 anos, implementou políticas que fortaleceram o agronegócio e melhoraram as condições para os produtores, o que lhe assegura uma boa reputação no setor. As iniciativas de Alckmin focaram em crédito, infraestrutura rural e apoio à agricultura familiar, solidificando sua imagem entre os agricultores.
Com um histórico de dificuldade de políticos da esquerda em conquistar votos no interior paulista, Haddad busca formar uma chapa que dialogue com os interesses do agronegócio e do empresariado. Nesse objetivo, aliados destacam que a participação de Alckmin em sua campanha será crucial. A ideia é que ele faça uma série de visitas a cidades do interior ao lado de Haddad para tentar mitigar a resistência que o petista enfrenta.
Na capital paulista, as expectativas são mais otimistas. Em 2022, tanto Lula quanto Haddad conseguiram um expressivo número de votos no segundo turno. No entanto, o desafio de Haddad em conquistar o interior persiste e demanda uma estratégia bem elaborada.
Recentemente, a filiação de Teresa Vendramini ao PDT gerou alvoroço entre os petistas, que alimentaram esperanças de uma aliança com Haddad. Apesar das negativas, já há conversas sobre possíveis aproximações. Durante uma entrevista ao SBT News, Haddad tentou desmistificar o setor agro, afirmando que existem grupos no agronegócio comprometidos com a sustentabilidade e saúde pública. O presidente do PT, Edinho Silva, reforçou que a composição da chapa caberá a Haddad, sem imposições do partido.

