Ministro da Justiça Alerta sobre Infiltração Criminosa
Em sua participação na CPI do Crime Organizado, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, fez um apelo aos líderes partidários para que realizem uma rigorosa “triagem” de candidatos, visando barrar a entrada de indivíduos associados a organizações criminosas nas eleições do próximo ano. Essa iniciativa, embora necessária, revela uma triste realidade: o Brasil enfrenta um avanço alarmante da criminalidade, que já está se infiltrando na economia formal e nas instituições do Estado. Os partidos políticos, como portas de entrada para a vida pública, desempenham um papel crucial nesse processo de contaminação e é urgente que haja medidas para detê-lo.
Casos Alarmantes de Infiltração nas Instituições
Um dos exemplos mais preocupantes dessa infiltração é o caso de Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. Eleito como suplente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), TH ocupou uma cadeira na Casa até ser preso sob a acusação de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). A situação é escandalosa, considerando que um deputado estadual é suspeito de tráfico de armas e drogas, além de atuar em favor de uma facção criminosa. Contudo, a trama se torna ainda mais complexa.
A investigação revelou que o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, teria avisado TH sobre uma operação policial iminente, permitindo que ele se livrasse de provas e tentasse escapar da prisão. Cenas gravadas por câmeras de segurança mostraram um caminhão estacionado em frente à residência de TH sendo descarregado durante a noite. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Bacellar, mas o plenário da Alerj decidiu libertá-lo. Moraes, então, manteve Bacellar fora da presidência da Casa e sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Implicações de Um Sistema Corrompido
Ainda mais grave, as investigações apontaram que o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), estava presente no momento em que Bacellar alertou TH sobre a operação. Macário, que já havia sido afastado da magistratura anteriormente por corrupção, foi preso a pedido de Moraes e também destituído do cargo. Essa sequência de eventos levanta questões sobre a integridade das instituições e a efetividade da legislação em barrar a corrupção.
A Necessidade de Filtragem dos Candidatos
Diante desse cenário alarmante, torna-se imprescindível que os partidos políticos implementem mecanismos eficazes para filtrar seus candidatos, levando em conta o histórico criminal e as condutas anteriores dos postulantes. Desde 2010, a Lei da Ficha Limpa é um instrumento que visa barrar candidaturas de pessoas condenadas em processos penais. No entanto, o Congresso tem enfraquecido as regras de inelegibilidade. Apesar de algumas medidas de veto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a essência das mudanças permanece, o que pode trazer consequências negativas para as futuras eleições.
Nas eleições municipais de 2024, a Ficha Limpa já barrou 1.968 candidaturas, mas sua eficácia pode ser comprometida pelas brechas que os criminosos poderão explorar. O avanço do crime organizado, tanto em tamanho quanto em sofisticação, tem superado a capacidade da legislação de impedir sua infiltração nas instituições, incluindo o sistema de segurança pública.
A Responsabilidade dos Partidos na Luta Contra a Corrupção
Essa situação demanda uma resposta imediata e eficaz por parte dos partidos políticos, que têm um papel vital na construção de uma política mais limpa e transparente. A capacidade de resistência à criminalidade e à corrupção depende fortemente do comprometimento dos partidos em zelar pela integridade dos candidatos que promovem. A sociedade não pode se calar diante dessa realidade; a filtragem rigorosa de candidatos é crucial para restaurar a confiança nas instituições e garantir um ambiente político mais saudável.

