Adaptação das bancas no Centro de Ribeirão Preto
A procura por jornais e revistas despencou, forçando os jornaleiros do Centro de Ribeirão Preto a buscar alternativas para manter suas bancas vivas. No Dia do Jornaleiro, celebrado em 30 de setembro, três desses profissionais compartilharam suas histórias e mostraram como reinventaram seus negócios para driblar as mudanças no consumo de mídia impressa.
Magali dos Santos, que atua há 35 anos na Banca Balieiro, viu o movimento no Calçadão mudar consideravelmente. “Antes, o fluxo era muito maior. Com a internet, tivemos que incluir novos produtos para atrair outro público. A venda de revistas e jornais diminuiu bastante, mas seguimos firmes”, explica. Para ela, a banca é mais do que um comércio, é parte da sustentação da família. “Esse negócio sempre foi o sustento de casa. Continuo batalhando para manter tudo funcionando”, afirma.
Entre as publicações mais procuradas, Magali destaca a Revide. “Os clientes ainda buscam muito essa revista. Gosto de presentear eles com a Revide, e a aceitação é ótima. Essa parceria é importante para nós”, completa.
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Tradição e mudanças na identidade local
Daniel Mariano, à frente da Banca Oásis há cerca de dois anos, enxerga o trabalho como uma peça da identidade de Ribeirão Preto. “Carregamos parte da história da cidade. Gosto do que faço e temos um catálogo amplo, com quadrinhos, revistas e caça-palavras”, conta.
Ele lembra que, no passado, as revistas de novela eram as mais vendidas nas bancas. “O público comprava para acompanhar os capítulos seguintes. Com o avanço da internet, esse interesse diminuiu muito”, relata Daniel, que percebeu essa mudança no movimento e no perfil do cliente.
Uma trajetória construída em família
Isabel Cristina Ferreira atua como jornaleira há cerca de 30 anos e dirige a Banca da Bel há 15. Após se mudar de São Paulo para Ribeirão Preto, encontrou na banca uma forma de sustentar os filhos pequenos. “Na época, eu ganhava bem em São Paulo, mas aqui não consegui emprego. Comecei com meus filhos na banca e foi assim que tudo começou”, lembra.
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Para continuar no mercado, Isabel precisou ampliar a oferta de produtos. “Hoje, vendemos mais revistas Coquetel, álbuns de figurinhas e outros itens. O que vendia antes foi diminuindo, então buscamos alternativas para manter a banca ativa”, explica.
Com o passar dos anos, a banca acompanhou o crescimento da família. “Meus filhos já são adultos e pais. Eu virei avó. Se eu parar de trabalhar, vai fazer muita falta”, confessa.
Essas histórias mostram a resiliência dos jornaleiros diante das transformações no consumo e a importância do comércio local para a economia e cultura da cidade.

