Paciente relata complicações graves após procedimento estético
A dentista Fernanda Borges da Silva, localizada em Ribeirão Preto (SP), é alvo de nova denúncia após uma professora aposentada, Leslie Calandra Silveira, apresentar lesões sérias decorrentes de um lifting facial. A clínica onde Fernanda atuava permanece interditada desde setembro do ano passado devido a irregularidades sanitárias.
No dia 3 de janeiro, Leslie se submeteu à cirurgia, mas logo após teve o pescoço inchado e, dias depois, apresentou sangramento na área afetada. O laudo do IML confirmou que as lesões são consideradas graves, com riscos hemorrágicos e infecciosos, resultado de intervenção inadequada com instrumento cortante.
A equipe do g1 tentou contatar a defesa da dentista para um posicionamento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Dores e complicações após a cirurgia
Em entrevista à EPTV, afiliada da Rede Globo, Leslie compartilhou sua difícil experiência, afirmando que saiu do consultório com intensas dores. “Senti uma veia estourada no pescoço. Acredito que a classificação das lesões como grave é justa, pois corri risco de vida”, relatou.
Após o procedimento, Leslie retornou à sua cidade, Passos, e, cinco dias depois, buscou novamente a dentista por conta do sangramento e inchaço. A profissional minimizou a situação, dizendo que o líquido era normal e que não se tratava de sangue. Frustrada, Leslie decidiu procurar atendimento de emergência.
O laudo do IML descreve que a professora voltou a ser atendida devido à dor intensa na região da cirurgia. Um médico local identificou um sangramento significativo, realizou um curativo e a encaminhou para sessões de tratamento em câmara hiperbárica, um método que utiliza oxigênio puro para tratar feridas e infecções graves.
Tratamento e consequências
Leslie recebeu um total de dez sessões de oxigenoterapia hiperbárica, um tratamento que ajuda na recuperação de feridas complexas e no combate a infecções. Os médicos que a atenderam relataram que buscaram a dentista responsável pela cirurgia, mas não conseguiram obter assistência.
A professora registrou um boletim de ocorrência e, mesmo enfrentando cicatrizes, está se recuperando dos danos. Contudo, conforme o laudo, Leslie ainda corre riscos de hemorragias e infecções futuras que poderão comprometer sua saúde. As orientações médicas indicam que ela deve evitar atividades cotidianas por pelo menos 30 dias.
“Espero que o juiz proteja outras pessoas e não permita que ela faça mais vítimas”, desabafou Leslie.
Investigação em andamento
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) confirmou que a investigação sobre a conduta de Fernanda Borges está em sigilo. A dentista já havia sido alvo de denúncias anteriores, incluindo uma feita pela secretária Silvia Maria Cândido, após complicações em outro procedimento estético, conhecido como protocolo Livcontour.
Além de Leslie, outras mulheres também relataram problemas após cirurgias realizadas por Fernanda. A clínica onde ela realizava os atendimentos, situada no Alto da Boa Vista, está interditada administrativamente desde 24 de setembro do ano passado. A interdição ocorreu após uma fiscalização identificar infrações graves às normas sanitárias, como a falta de licença para operações estéticas e odontológicas.
“Durante a fiscalização, foram constatadas sérias irregularidades, incluindo o funcionamento sem a devida licença sanitária e o descumprimento das normas de controle de infecções”, informou a Vigilância Sanitária.
A situação de Leslie e as investigações em torno da dentista revelam a importância de cuidados e supervisões rigorosas em procedimentos estéticos, que, quando realizados de forma inadequada, podem trazer consequências sérias à saúde dos pacientes.

