Negociações em Alta: Governadores e As Eleições de 2024
Em um cenário eleitoral em que as pesquisas indicam uma disputa acirrada pelo Planalto, o apoio de governadores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) torna-se um reflexo das divisões políticas no país. De acordo com um levantamento realizado pelo GLOBO, Lula conta com o apoio de 12 governadores, número que se equipara ao grupo opositor. Além disso, três governadores permanecem com posicionamento indefinido. Para Flávio, o desafio é ampliar sua base, já que atualmente ele conta com o respaldo de cinco governadores, incluindo figuras de destaque como os de São Paulo e Rio de Janeiro.
A divisão atual ecoa o cenário eleitoral de 2022, onde Lula predominou no Nordeste, enquanto a direita se destacou em outras regiões. Especialistas afirmam que a construção de palanques estaduais fortes é vital para impulsionar um candidato à presidência; no entanto, isso não garante uma transferência direta de votos, visto que os eleitores consideram múltiplas variáveis. A situação é ainda mais complexa para os governadores que desejam concorrer a outros cargos, pois precisam se desincompatibilizar até abril.
Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), destaca que “a lógica regional frequentemente não se alinha com o contexto nacional. O eleitor consegue diferenciar as esferas. Ele pode apoiar um presidenciável e, ao mesmo tempo, escolher um governador de outra orientação política”.
Apoios e Desafios Regionais
Os estados que se opõem a Lula representam uma população de mais de 100 milhões de habitantes, quase o dobro dos 52 milhões das regiões que o apoiam. Entre os governadores que estarão ao lado de Lula, figuram o baiano Jerônimo Rodrigues (PT), a pernambucana Raquel Lyra (PSD), e o paraense Helder Barbalho (MDB). Também fazem parte desse grupo os chefes do Executivo de estados como Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Amapá.
No entanto, é importante ressaltar que os últimos dois estados possuem governadores que, apesar de aliados de Lula, não votaram nele nas eleições de 2022. Curiosamente, o quadro opositor inclui estados que, nas últimas eleições, apoiaram Lula, como Amazonas e Rondônia.
No campo de Flávio, os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Cláudio Castro (PL), ambos de São Paulo e Rio de Janeiro, são figuras chave, assim como os gestores de Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Apesar de serem da oposição, os governadores do Distrito Federal, Amazonas e Rondônia ainda não manifestaram apoio formal ao senador.
Divisões na Direita e Movimentos do Governo
O cenário é ainda mais complicado para a direita, com pré-candidatos ao Planalto como Romeu Zema (Novo) de Minas Gerais, Ratinho Júnior (PSD) do Paraná, Eduardo Leite (PSD) do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado (PSD) de Goiás. Esses líderes, junto a Flávio, devem se posicionar em um contexto onde ainda há incertezas sobre a estratégia a ser adotada.
Fábio Vasconcellos, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da PUC-Rio, aponta que as divisões na direita são uma “diferença importante” em relação a 2022. “Existem ruídos que podem prejudicar a campanha de Flávio. Até mesmo Tarcísio hesitou para manifestar apoio ao senador. Por outro lado, o respaldo dos governadores nordestinos, onde Lula já é forte, é um indicativo positivo e pode auxiliar na repetição de seu desempenho anterior”, afirma Vasconcellos.
A estratégia do Planalto também envolve a aproximação de siglas do Centrão, que se encontram distantes do governo. O foco é convencer essas legendas a manter uma posição neutra nas eleições presidenciais. Em relação ao Sudeste, Lula aposta em nomes com forte presença estadual ou nacional, visando enfrentar os atuais ou futuros governadores.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD) é um aliado do petista e, atualmente, aparece como favorito na corrida pelo governo, desafiando o nome que o PL deverá indicar. Em São Paulo e Minas Gerais, Lula busca consolidar candidaturas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).
Disputas Acirradas nas Regiões
Apesar das alianças, o cenário não é totalmente favorável. No Ceará, dois governadores do PT enfrentam batalhas acirradas, com Ciro Gomes (PSDB) liderando as pesquisas contra o petista Elmano Rodrigues, que busca a reeleição. Pressionado, o governo Lula escalou Camilo Santana, atual ministro da Educação e ex-governador do Ceará, para ajudar na campanha de Elmano. Santana é visto como um possível candidato, caso a candidatura de Ciro continue competitiva.
A Bahia também enfrenta desafios na reeleição de Jerônimo, que deverá competir com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União). Apesar das negociações ainda não estarem consolidadas, registros de reuniões indicam que o PL está considerando uma aliança com ACM. Já no Distrito Federal e Amazonas, Flávio Bolsonaro não conseguiu garantir apoio de governadores, complicando ainda mais suas pretensões eleitorais, especialmente em um cenário onde Ibaneis Rocha (MDB) e Wilson Lima (União) têm interesses locais divergentes.

