Júri Decide sobre o Caso de Agressões Fatais
Sérgio Salomão Bernardes foi condenado a 14 anos de prisão pelas agressões que resultaram na morte de um vizinho em Ribeirão Preto, São Paulo. O julgamento ocorreu após o caso ter gerado grande repercussão e revolta entre os moradores da região. Durante o júri, o manobrista enfrentou a acusação do Ministério Público, que inicialmente o imputava homicídio doloso triplamente qualificado. No entanto, a decisão final do júri foi por lesão corporal seguida de morte, uma pena menos severa.
Os jurados entenderam que, embora Salomão tivesse a intenção de machucar a vítima, não havia evidências de que ele realmente pretendia matá-la. A defesa do réu anunciou que recorrerá da sentença na tentativa de reduzir a pena aplicada.
Detalhes do Crime e Contexto
O crime ocorreu no dia 25 de junho de 2024, durante uma tarde comum no cruzamento das ruas Barão do Amazonas e Mariana Junqueira, no Centro de Ribeirão Preto. Júlio César da Silva, a vítima, foi espancado por Salomão e, mesmo tendo sido socorrido e levado à Santa Casa, não sobreviveu aos ferimentos. As investigações revelaram que ambos tinham um histórico de desentendimentos, o que deixou os moradores do condomínio Jardim das Pedras, onde residem cerca de 6,5 mil pessoas, em estado de choque.
Após o incidente, Salomão foi expulso do condomínio por decisão judicial, uma medida que visava garantir a segurança dos demais moradores diante do comportamento agressivo do manobrista. Imagens de câmeras de segurança capturaram Salomão em atitudes intimidatórias nas áreas comuns do residencial, onde era visto armado com uma faca e uma marreta, ameaçando os que cruzavam seu caminho.
Comportamento Agressivo e Preocupações da Comunidade
Os vídeos mostraram que o manobrista não apenas intimidava outros moradores, mas também destruiu partes de seu próprio apartamento, marretando paredes e fazendo ameaças de explosão com um botijão de gás. Moradores relataram diversas ocorrências de perturbação e intimidação, levando a um crescente número de boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil contra ele.
No dia da tragédia, Salomão e Júlio César discutiram enquanto caminhavam juntos, e a situação rapidamente se deteriorou. Segundo uma testemunha, Salomão agrediu a vítima com um soco, fazendo com que Júlio caísse e batesse a cabeça no chão. Em um ato brutal, enquanto a vítima estava caída, Salomão pisoteou o tórax de Júlio várias vezes antes que ele fosse socorrido.
Consequências Legais e Avaliação Psicológica
Após o ataque, Júlio César não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte. Salomão foi preso em flagrante e, desde então, permanece em custódia. Durante seu interrogatório inicial, alegou ter agido em legítima defesa, mas essa justificativa não foi aceita pela Justiça. Em uma avaliação realizada em outubro de 2025, a Justiça determinou que Salomão era imputável, ou seja, ele tinha plena capacidade de entender as consequências de seus atos. A psiquiatra que o avaliou confirmou que Salomão estava ciente do que fazia no momento do crime.
A decisão do júri e os acontecimentos que levaram à morte de Júlio César continuam a ecoar entre os moradores de Ribeirão Preto, que se mobilizam em busca de maior segurança e prevenção de atos violentos em suas comunidades.

