Debate sobre Saúde na Menopausa na USP
No dia 8 de março, das 9h30 às 12 horas, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP realizará o debate intitulado “Saúde na Menopausa: Ciência e Sociedade”. O evento tem como missão proporcionar uma compreensão mais abrangente e fundamentada sobre a menopausa, além de promover o autocuidado e o empoderamento feminino por meio de informações científicas precisas.
A professora Silvia Vanessa Lourenço, que lidera o grupo em Saúde Bucal da Mulher na Menopausa na Faculdade de Medicina da USP, destaca que a saúde bucal frequentemente é negligenciada durante a menopausa, apesar de sua importância vital para o bem-estar da mulher. “Este é um tema de grande relevância que deve ser discutido amplamente. A USP, sendo uma instituição pública, tem a obrigação de contribuir com conhecimento qualificado e se aliar a iniciativas que já abordam essas questões”, ressalta.
Os Impactos da Menopausa na Saúde Bucal
A menopausa é caracterizada por flutuações hormonais que impactam diretamente a saúde bucal. No Hospital das Clínicas, foi criado o primeiro Observatório de Saúde Bucal da Mulher em colaboração com a divisão de ginecologia, especialmente voltado para o ambulatório de menopausa. Observações feitas neste ambiente evidenciam que a saúde bucal está interligada à saúde geral da mulher, com a saliva desempenhando um papel essencial nesse processo.
Com a menopausa, ocorre uma alteração significativa no fluxo e na qualidade da saliva, o que pode prejudicar a saúde bucal. A saliva é responsável por hidratar e proteger a cavidade oral, e sua diminuição pode aumentar a vulnerabilidade a cáries e doenças periodontais. Além disso, a menopausa também provoca alterações em outros sistemas corporais, incluindo o cardiovascular, uma vez que a saliva contém substâncias importantes para a saúde vascular, como o óxido nítrico. Portanto, a redução na produção salivar pode afetar a saúde cardiovascular das mulheres nesta fase da vida.
Alterações Ósseas e Saúde Bucal
Outro ponto importante levantado pela professora Lourenço é a maior propensão das mulheres a alterações ósseas durante a menopausa, como a osteoporose. Isso impacta diretamente a saúde da cavidade oral, dificultando procedimentos de reabilitação e a colocação de implantes dentários, uma vez que a biologia óssea pode não permitir tais intervenções. “Esses desafios são críticos e precisam ser abordados com mais atenção dentro do contexto da saúde da mulher”, explica.
Desafios e Avanços nos Estudos sobre Menopausa
A professora também discute os desafios que envolvem a pesquisa e compreensão da menopausa. Apesar das flutuações hormonais que as mulheres enfrentam ao longo da vida, essa fase ainda é pouco explorada. Historicamente, a menopausa foi vista de forma negativa, com mulheres sendo consideradas menos produtivas e mais isoladas socialmente. Contudo, essa percepção está mudando.
Atualmente, tanto no Brasil quanto no mundo, a expectativa de vida feminina tem aumentado, e muitas mulheres chegam à menopausa mais ativas e conscientes da importância do autocuidado. A saúde bucal, que integra o conceito de saúde global, ainda precisa ser mais estudada e valorizada. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde tem se dedicado a investigar a saúde bucal ao longo da vida, com um foco especial nas mulheres, que lidam com diversas variações hormonais e seus impactos.
As mulheres estão cada vez mais ocupando espaços de liderança e autonomia e, por isso, a discussão sobre a saúde na menopausa se faz ainda mais necessária. O evento na USP é uma oportunidade valiosa para trazer à tona esses assuntos cruciais, promovendo um diálogo que pode beneficiar muitas mulheres.

