Família Busca Respostas em Caso de Morte em Clínica de Reabilitação
Na última semana, Ribeirão Preto (SP) foi palco de um trágico incidente que resultou na morte de Wildson Cardoso Felipini, de 30 anos, encontrado sem vida em uma clínica de reabilitação no Jardim Paulistano. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP), o óbito ocorreu no dia 27 de janeiro, em circunstâncias que agora geram sérias dúvidas sobre as condições do tratamento recebido pelo paciente.
Inicialmente, familiares foram informados de que Wildson havia sofrido uma parada cardíaca, mas a certidão de óbito revelou lesões e traumas, o que levantou suspeitas de um possível espancamento. “Era visível que ele tinha sido agredido. Havia diversos hematomas na testa e seu olho estava muito roxo. No velório, notamos cortes nos braços, parecendo que ele tentou se defender. Queremos justiça e explicações sobre o que realmente aconteceu”, desabafou Daiara Duarte do Nascimento, irmã do falecido.
O caso está sendo apurado pelo 8º Distrito Policial, que o investiga como uma morte suspeita. Em uma declaração à EPTV, afiliada da TV Globo, o Instituto Terapêutico Redentor, localizado onde Wildson estava internado, explicou que tentou prestar os primeiros socorros, mas não obteve sucesso. Após isso, acionaram a polícia, que registrou um boletim de ocorrência e comunicou a perícia, liberando o corpo para análise no Instituto Médico Legal (IML).
Após a confirmação da morte, familiares tentaram acessar a clínica para entender melhor a situação, mas houve necessidade de intervenção policial. A clínica, procurada novamente, não se manifestou sobre as alegações de espancamento.
Por sua vez, a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto informou que a clínica possui licença para operar e, até o momento, não há registros de ocorrências anteriores relacionadas à instituição. No entanto, afirmou que mais detalhes devem ser apurados pelas autoridades locais.
Histórico de Tratamento e Circunstâncias da Morte
A família de Wildson relatou que ele enfrentava problemas com dependência química e havia sido internado na clínica, a qual custava cerca de R$ 2 mil mensais, no dia 25 de dezembro, para tratamento. Apenas dois dias após a internação, receberam a notícia devastadora de sua morte, registrada como ocorrida na madrugada de sábado.
O exame do IML, por sua vez, indicou hemorragia, fratura na base do crânio, traumatismo cranioencefálico e edema pulmonar como possíveis causas da morte. Além disso, a família destaca que, ao observar o corpo, notaram sinais de violência. “Quando chegamos ao velório, levantamos os braços dele e todos estavam cobertos por esparadrapos, os dedos estavam machucados, como se ele tivesse tentado se defender”, contou Edmilson Felipini Júnior, irmão de Wildson.
Testemunhas que trabalham nas proximidades da clínica relataram terem ouvido gritos vindos do interior da instituição no final de semana da fatalidade. Além disso, mencionaram que um dos responsáveis pela clínica teria confirmado, em mensagens, que Wildson foi agredido e morto por outro interno.
“Os frentistas do posto de gasolina em frente à clínica afirmaram que houve uma briga por volta do dia 26, à tarde, marcada por muitos gritos”, disseram.
Em meio a essa situação angustiante, a família está determinada a buscar respostas e responsabilizar os envolvidos. “Estamos revoltados e queremos justiça. Vamos lutar até o fim, o mínimo que esperamos é que essa clínica seja responsabilizada”, declarou o irmão de Wildson.

