Uma Rede Criminosa Exposta
No dia 13 de setembro, a Polícia Civil deu início à Operação Quebrando a Banca, que resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão. O foco da operação é uma organização criminosa que, nos últimos anos, movimentou cerca de R$ 100 milhões através de jogos de azar, prática ilegal no Brasil. Os mandados foram cumpridos em diversas cidades, incluindo São Paulo, Mogi-Mirim, Santa Rosa do Viterbo, Ribeirão Preto e São João da Boa Vista.
A Secretaria de Segurança Pública revelou que o esquema criminoso estava em operação há décadas, utilizando empresas de fachada e uma vasta rede de “laranjas” para ocultar a verdadeira origem e o propósito das transações financeiras. A investigação é coordenada pela Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Piracicaba.
Segundo Marcel Willian de Souza, delegado da Deic, a investigação teve início a partir de prisões relacionadas a jogos de azar. “Identificamos um grande número de pessoas que, apesar de viverem de maneira simples, movimentaram milhões mensalmente. Elas eram utilizadas como ferramentas pelos criminosos para desviar a atenção das autoridades. Por isso, o trabalho foi meticuloso até chegarmos às lideranças reais da operação”, afirmou o delegado.
Empresas e Lavagem de Dinheiro
Durante a operação, também foram descobertas empresas que auxiliavam na ocultação de bens, revelando uma verdadeira rede de lavagem de dinheiro que operava em São Paulo e Minas Gerais. Embora os jogos de azar sejam frequentemente considerados crimes de ‘menor potencial’, sua prática está intimamente ligada a infrações mais graves, como organização criminosa e lavagem de dinheiro, como evidenciado pela Operação Quebrando a Banca.
De acordo com relatórios de inteligência financeira, o principal líder da quadrilha movimentou mais de R$ 25 milhões em um único semestre, só em 2024. Além disso, foram identificadas transações milionárias ocorridas nos anos anteriores, consolidando a gravidade do esquema.
Transações e Bens Ocultos
Outra revelação significativa foi que a organização realizava transações imobiliárias em dinheiro e adquiria bens em nome de terceiros para disfarçar a origem dos recursos. Estima-se que a quadrilha tenha movimentado aproximadamente R$ 97,2 milhões, incluindo todas as transferências, o capital social das empresas e os bens imobiliários ocultos, além de uma frota de veículos.
Com os mandados de busca e apreensão da Operação Quebrando a Banca, as autoridades conseguiram recuperar veículos, dinheiro em espécie, dispositivos eletrônicos e outros instrumentos utilizados para as apostas. As investigações continuam, visando identificar outros envolvidos nesse esquema criminoso.

