A Jornada de Eugênio Pio Matteoni
Por trás da icônica imagem do Papai Noel, com sua barba branca e vestido em vermelho, está Eugênio Pio Matteoni, um homem com uma rica história conectada ao esporte. Aos 65 anos, este Bom Velhinho trocou os patins pelo trenó, mas não esqueceu suas raízes no hóquei, um esporte que fez história nas décadas de 1970 e 1980 no nordeste do Estado de São Paulo.
A trajetória de Eugênio na patinação começou em 1975, no clube Palestra, localizado em Ribeirão Preto (SP), onde inicialmente se apresentava em shows artísticos. Com o tempo, ele se aventurou no hóquei e logo se tornou um jogador respeitado.
“Os filhos dos professores da escola de patinação eram jogadores de hóquei renomados. Um deles era capitão da seleção brasileira e o outro, artilheiro”, lembra Eugênio.
A modalidade rapidamente conquistou Ribeirão Preto, especialmente em Sertãozinho (SP), que se tornou referência no hóquei. O ginásio municipal da cidade foi construído para apoiar o clube local, que se destacou ao conquistar títulos em diversas competições, inclusive mundiais.
Um Novo Capítulo como Papai Noel
Eugênio se juntou ao Sertãozinho Hóquei Clube a convite de Haroldo Pérsio Requena, um dos fundadores. Ele se destacou, ganhando campeonatos sul-americanos e brasileiros, e chegou a integrar as categorias de base da seleção brasileira. “Sinto orgulho de ter participado do início de tudo. Naquela época, as crianças jogavam hóquei nas ruas, algo lindo de se ver”, disse.
No entanto, em 1980, Eugênio decidiu pendurar os patins. A rotina profissional e as dificuldades do esporte amador o levaram a mudar de direção. Assim, a mágica do Natal começou a surgir em sua vida.
Desde cedo, Eugênio se destacou como Papai Noel, interpretando o personagem de forma descontraída em empresas e até nas escolas de suas filhas. A brincadeira logo atraiu a atenção de pessoas ao seu redor, que sugeriram que ele transformasse isso em uma profissão.
A Magia do Natal e o Papel do Bom Velhinho
Hoje, longe das quadras de hóquei, Eugênio acolhe a rotina de Bom Velhinho no Ribeirão Shopping, papel que desempenha com amor e carinho. “Eu consigo levar um pouco de esperança e calor humano para as crianças e até para os adultos. Em tempos onde a empatia parece escassa, é essencial mostrar que a bondade ainda existe”, afirmou.
Para ele, o jogo da vida como Papai Noel é bem diferente. “Um jogo decisivo é sobre correr atrás de uma vitória. E como Papai Noel, eu já começo ganhando”, compartilha Eugênio, emocionado.
Ele descreve ser Papai Noel como uma experiência enriquecedora: “Depois de um dia de trabalho, saio renovado, com o coração cheio de amor e carinho para distribuir.”
Preparação para a Grande Temporada
Eugênio também se prepara de forma diferente agora. Se antes ele passava horas estudando adversários, hoje dedica tempo para pesquisar as tendências de brinquedos entre as crianças. “Meus conhecimentos são atualizados para saber o que está em alta e o que pode ser perigoso. É meu dever aconselhar as crianças corretamente”, explicou.
Entretanto, ele sempre se depara com pedidos inusitados. “No ano passado, uma menina pediu um tigre. Quando eu disse que ele era feroz, ela pediu para colocá-lo na jaula!”, contou Eugênio, rindo. “Esse ano, um garoto pediu um cavalo e eu tive que explicar que não caberia no saco de presentes.”
A Magia do Natal Além de Dezembro
Para Eugênio, a magia do Natal não deve se restringir a um único mês. “Acredito que as pessoas poderiam cultivar essa doação e amor durante todo o ano. Não custa nada e só engrandece”, reflete.
Seu papel como Papai Noel é um lembrete de que, mesmo em um mundo desafiador, é possível levar alegria e empatia, mantendo o espírito natalino vivo todos os dias.

