Operação da PM em São Paulo
A Polícia Militar do Estado de São Paulo realizou uma operação que culminou na prisão de 20 detentos que estavam usufruindo da chamada “saidinha de final de ano”. Esse benefício, que começou no dia 23 de dezembro e se estenderá até 5 de janeiro de 2026, permite que os presos passem esse período com suas famílias. Contudo, a ação policial se concentrou em flagrantes de crimes cometidos por alguns desses detentos.
Entre os 20 indivíduos detidos, seis foram capturados em São José dos Campos, Bauru, Piracicaba e Ribeirão Preto ao tentarem cometer atos de violência doméstica ou ao desrespeitar medidas protetivas. A prática é uma resposta do governo diante de situações em que a vítima denuncia o agressor, mesmo estes ainda cumprindo pena. Nesses casos, quando o agressor tenta se aproximar da residência da vítima, uma unidade policial é acionada para garantir a segurança da mulher.
O governo paulista lançou o aplicativo SP Mulher Segura, que serve como ferramenta de monitoramento e conta com um botão de socorro imediato para auxiliar mulheres em situações de risco.
Incidentes Variados Durante a Saidinha
Além das prisões relacionadas à violência doméstica, outras 20 ocorrências foram registradas envolvendo crimes como tentativa de estupro, homicídio, roubo e furto à residência. Por exemplo, no dia 26 de dezembro, um detento utilizando uma tornozeleira eletrônica foi detido após roubar um carro e sequestrar um idoso, obrigando-o a realizar saques em caixas eletrônicos em Indaiatuba. No dia seguinte, um outro detento foi reconhecido e preso após uma tentativa de estupro em Taubaté. Durante a mesma operação, outro beneficiado foi capturado por tentativa de homicídio na mesma cidade.
Além disso, 572 detentos não respeitaram as regras estabelecidas para a saidinha. Entre as infrações estão: não permanecer em casa durante a noite, deixar o município determinado pela Justiça, consumir álcool e drogas, ou se dirigir a locais restritos, como bares e casas noturnas.
Fiscalização e Retorno dos Detentos
De acordo com informações do governo estadual, as ações de fiscalização prosseguem em todo o estado, visando evitar novos crimes ou descumprimento das regras da saidinha. O governo afirma que, na maioria das vezes, os detentos beneficiados retornam voluntariamente para o cumprimento de suas penas ao término do período festivo.
Conforme um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre 2021 e 2023, aproximadamente 5% dos presos não retornam às unidades prisionais após a saidinha. No final de ano de 2023 e início de 2024, dos 86.858 detentos que foram liberados para esse período de ressocialização e convivência familiar, 3.635 não voltaram, representando 4,2% dos beneficiados. Essa estatística é um alerta para as autoridades sobre a necessidade de reforçar a supervisão e as medidas de controle durante esses períodos de liberação.

