Reflexão sobre a Cobertura Esportiva
Recentemente, o jornalista José Trajano, um dos nomes mais respeitados na ESPN Brasil, destacou uma ausência preocupante na cobertura do esporte regional, especialmente no interior de São Paulo. Aqui no portal ABC do ABC, é impossível não lembrar da nossa cobertura dos Jogos Abertos do Interior, onde, infelizmente, muitos eventos passaram sem a devida visibilidade. Em um mundo repleto de opções de transmissão, ainda assim, muitos jogos não foram exibidos em canais abertos ou fechados. Isso nos leva a questionar: será que realmente existe uma falta de interesse por parte das emissoras, ou o público também não se dedica a assistir?
A questão central que paira sobre essa situação é: os brasileiros ainda têm um verdadeiro apreço pelo esporte? É possível que a tecnologia e as mudanças de comportamento tenham contribuído para essa desconexão. Analisando o passado, lembramos de uma época em que os pais incentivavam seus filhos a praticar esportes, seja futebol, natação ou artes marciais. Os pequenos atletas eram valorizados e suas conquistas celebradas, mas hoje em dia, a cultura esportiva parece ter se perdido em meio a tantas distrações.
Atletas de São Paulo nas Olimpíadas
Um dado surpreendente mostra que 49 atletas que participaram das Olimpíadas de Paris em 2024 são oriundos da Grande São Paulo e de suas periferias. Por exemplo, Raica Ventura, que representou o Brasil no skate, é de São Bernardo do Campo, enquanto Giovanni Vianna, também no skate street, vem de Santo André. Lucas Carvalho, que competiu no atletismo, é natural da mesma cidade. Essa quantidade expressiva de atletas de uma mesma região demonstra que, apesar das dificuldades, existe um potencial significativo na formação de novos talentos.
Outros nomes que se destacaram incluem Gustavo Bala Loka, do ciclismo BMX freestyle, nascido em Carapicuíba, e a ginasta Rebeca Andrade, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, que é natural de Guarulhos. O interior paulista, assim como cidades como Franca, Mogi e Suzano, se estabeleceu como um verdadeiro celeiro de atletas, especialmente em modalidades como basquete e vôlei. E na natação, temos exemplos como Tetsuo Okamoto de Marília, Gustavo Borges de Ribeirão Preto, César Cielo de Santa Bárbara D’Oeste e Ricardo Prado de Andradina.
A Importância do Incentivo ao Esporte
Embora nem todos esses atletas tenham participado dos Jogos Abertos, o torneio desempenha um papel fundamental na descoberta e formação de novos talentos. Portanto, é crucial que continuemos a apoiar e promover esses eventos, permitindo que o Brasil se destaque nas próximas Olimpíadas. No entanto, uma pergunta permanece: o que realmente falta para que nossa sociedade veja o esporte como uma prioridade?
É inegável que o Brasil enfrenta vários problemas sociais. Preocupações com impostos, condições das ruas e o custo de vida dominam nossas mentes. Contudo, o incentivo ao esporte deve ser tratado como uma prioridade. Certamente, muitos já se depararam com atletas em semáforos pedindo apoio para continuar suas práticas esportivas ou para custear viagens a torneios. O esporte tem o poder de transformar vidas e, portanto, deve ser uma preocupação coletiva.
Uma Proposta para o Futuro
É fundamental que o poder público destine recursos e ferramentas para que todos os cidadãos tenham a oportunidade de se envolver em práticas esportivas, com apoio que vá desde a base até o nível profissional. É preciso despertar o interesse pela prática esportiva desde a infância, fazendo com que as escolas enfoquem a Educação Física como uma disciplina séria, onde técnicas e fundamentos sejam devidamente ensinados.
Em coberturas anteriores dos Jogos Abertos, percebi que muitos atletas de diferentes cidades conquistaram medalhas e vitórias pessoais, mas essas conquistas muitas vezes passam despercebidas por canais de esportes como SporTV e ESPN. Isso levanta uma reflexão sobre qual tipo de esporte realmente recebem atenção da mídia. Assim, sugiro que o poder público invista em esportes locais, buscando descobrir novos talentos e promovendo a cobertura em plataformas como YouTube e redes sociais das prefeituras.
Com os próximos Jogos Olímpicos programados para 2028, ainda temos um tempo valioso para fomentar o surgimento de novos talentos e enraizar a cultura esportiva em nossa sociedade. Torço para que, em breve, consigamos mudar essa realidade e fazer do esporte uma prioridade em nossa vida cotidiana.

