Desafios na Revitalização da Avenida Nove de Julho
O Conselho de Proteção ao Patrimônio Cultural (Conppac) anunciou que planeja acionar o Ministério Público devido a falhas na revitalização da Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto. Segundo Lucas Gabriel Pereira, presidente do conselho, os problemas na via eram previsíveis e resultam de erros no projeto. “O dano é evidente, a água não tem para onde ir, fica acumulada na avenida. Que tipo de estudo técnico foi utilizado para criar esse projeto? Não houve pesquisa suficiente. Eles não se inspiraram em outros locais como Ouro Preto, Recife ou Paraty para encontrar soluções eficazes”, declarou Pereira.
Passados dez meses desde a finalização das obras, a Avenida Nove de Julho apresenta paralelepípedos soltos e motoristas têm reclamado das condições da via. Recentes chuvas intensas, especialmente a que ocorreu na tarde de sexta-feira (2), resultaram em alagamentos em trechos recém-inaugurados, levantando mais preocupações sobre a qualidade do trabalho realizado.
Responsabilidade e Ações Legais
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Lucas Pereira explicou que, na época da licitação da obra, o Conppac não pôde bloquear os trâmites devido à falta de quórum, o que permitiu que o projeto avançasse sem as devidas análises.
Walter Telli, secretário de Obras, afirmou que a prefeitura está se preparando para processar a empresa envolvida na revitalização, a Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda. A EPTV tentou obter um comentário da empresa, mas não obteve resposta até a divulgação da reportagem.
Posições Divergentes sobre as Obras
O ex-prefeito, por sua vez, comunicou, via nota, que as obras na Avenida Nove de Julho foram iniciadas com base em projetos elaborados por equipes técnicas e seguiram todos os trâmites legais necessários. Ele ressaltou que a conclusão da obra ficou sob a responsabilidade da administração atual, que teve a tarefa de fiscalizar e aceitar o serviço. “Problemas estruturais devem ser atribuídos a quem gerenciava a obra no momento de sua finalização”, completou.
O ex-prefeito destacou que sua gestão sempre buscou agir com transparência e responsabilidade em relação aos recursos públicos, garantindo que documentos pertinentes estejam disponíveis para os órgãos de controle.
A Resposta da Atual Gestão
A administração do atual prefeito, Ricardo Silva (PSD), também se manifestou por meio de nota, afirmando que notificará a empresa responsável para que as falhas sejam corrigidas, visto que a obra ainda está dentro do prazo de garantia de cinco anos. “A obra foi iniciada pela gestão anterior e já apresentava problemas técnicos desde o início. O atual governo assumiu a responsabilidade de finalizar o que estava incompleto e, diante das falhas, notificará a empresa para resolver as questões pendentes”, disse a nota.
A Avenida Nove de Julho, que foi inaugurada em março do ano passado após um ano e nove meses de obras, teve um custo total de R$ 32,4 milhões, superando em cerca de R$ 1,4 milhão o orçamento original. Inaugurada inicialmente como Avenida Independência na década de 1920, a via passou a se chamar Nove de Julho em 1934, em homenagem à Revolução Constitucionalista.
Historicamente, a Avenida Nove de Julho é um corredor econômico importante da cidade, abrigando instituições financeiras, lojas, restaurantes e residências de famílias tradicionais, constituindo um marco na história de Ribeirão Preto.
História e Importância da Avenida
O primeiro trecho a receber blocos de basalto foi entre as ruas Barão do Amazonas e Cerqueira César, trabalho que começou em 1949. Naquele período, foram plantadas 40 árvores de sibipiruna, muitas das quais ainda estão de pé. Com o passar dos anos, a Avenida Nove de Julho tornou-se um ponto central da vida econômica e cultural da região, refletindo a evolução de Ribeirão Preto.

