Práticas Sustentáveis na Pecuária
A crescente demanda por produtos de origem animal tem desafiado a produção a se adaptar sem comprometer a sustentabilidade e o bem-estar dos animais. A necessidade de aprimorar os sistemas pecuários é evidente, uma vez que a superação da demanda pela oferta é uma questão premente. Segundo especialistas, a produção de carne e leite pelos bovinos, que são considerados fontes de elevada qualidade nutricional, apresenta um desafio: a emissão de metano, principalmente por eructação, que representa mais de 95% das liberações desse gás, além de uma pequena parte gerada pela flatulência.
Cientistas têm se dedicado a encontrar alternativas viáveis para mitigar os impactos do metano na produção pecuária. Para o setor leiteiro, as propostas incluem várias estratégias, como a melhoria dos índices produtivos e reprodutivos, a diminuição da necessidade de rebanhos de reposição, a seleção de animais superiores e a otimização das dietas com aditivos específicos. Além disso, a oferta de água de qualidade e o manejo eficiente tanto dos bovinos quanto das pastagens são fundamentais para o avanço da sanidade animal e promoção do bem-estar.
A pesquisa aponta que qualquer interrupção na produção animal, seja por questões sanitárias ou estresse, tende a agravar a emissão de metano por litro de leite. Isso ocorre porque as vacas continuam a liberar metano, independentemente da produção, um processo inerente aos ruminantes. Portanto, manter um rebanho saudável é fundamental para diminuir a quantidade de metano emitido por quilo de leite produzido.
Impacto da Genética e Saúde Animal
Outro aspecto relevante na busca por reduzir as emissões de metano é a especialização genética das raças. Em pastagens de alta qualidade, pesquisadores identificaram diferenças significativas na produção de metano entre as raças, com vacas holandesas, por exemplo, apresentando uma emissão média de 18,4 gramas por litro de leite, enquanto as girolandas liberam cerca de 25,3 gramas. Isso indica que determinados animais, devido à sua produção, conseguem distribuir melhor a carga de metano em relação ao leite produzido.
Os melhores índices zootécnicos também desempenham papel crucial na redução das emissões de metano. O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, André Novo, enfatiza que animais saudáveis e produtivos ajudam a minimizar o impacto do setor agropecuário nas mudanças climáticas. Ele sugere que um rebanho equilibrado deve conter aproximadamente 70% de vacas adultas e 30% de fêmeas jovens, com cerca de 83% das vacas em lactação. Quanto maior o número de vacas lactantes, maior será a produtividade total em litros de leite por ano, resultando em eficiência aprimorada e menor emissão.
Simulações sobre Emissões de Metano
Para evidenciar a influência dos índices zootécnicos sobre as emissões por quilo de leite, os pesquisadores da Embrapa realizaram simulações com uma calculadora em desenvolvimento. Na primeira simulação, um rebanho foi considerado com um intervalo de 12 meses entre partos, idade de 24 meses para o primeiro parto, 10 meses de lactação e dois meses de descanso. Na segunda, o intervalo aumentou para 18 meses, com 30 meses para o primeiro parto, 15 meses de lactação e três meses de descanso. Os resultados mostraram que a emissão de metano saltou de 0,906 para 1,108 quilos de CO2 equivalente por quilo de leite, revelando um aumento de 22% devido a índices inadequados.
Esses dados ressaltam a necessidade de atenção redobrada aos indicadores zootécnicos para uma prática pecuária mais sustentável. Melhorar os sistemas pecuários, priorizando o bem-estar e o manejo adequado dos animais, é o principal caminho para uma agropecuária mais responsável.

