Crise Política e a Renúncia de Julio Casares
O São Paulo Futebol Clube está passando por uma fase de transformações significativas. Na última quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, Julio Casares anunciou sua renúncia à presidência do clube, em meio a uma severa crise interna. A decisão foi tomada durante um momento de intenso desgaste político, que incluiu um processo de impeachment e investigações por parte da polícia, além de pressão crescente de torcedores e membros do Conselho Deliberativo. Com isso, Harry Massis Junior, que ocupava o cargo de vice-presidente, assume a liderança do Tricolor até o fim de seu mandato, previsto para dezembro deste ano.
O que motivou a saída de Casares? Quais serão os impactos na gestão do clube? E o que podemos esperar deste novo capítulo na história do São Paulo? Continue lendo para descobrir tudo isso.
A Pressão que Levou à Renúncia
A saída de Julio Casares não aconteceu de forma inesperada; foi o resultado de uma série de eventos que culminaram em sua renúncia. No último dia 19, o Conselho Deliberativo do São Paulo realizou uma votação crucial, onde 188 conselheiros decidiram pelo impeachment do presidente, enquanto apenas 45 votaram a favor de sua permanência, com dois votos em branco. Este resultado evidencia um clima de insatisfação que permeava o clube.
A pressão não vinha apenas de dentro, mas também do torcedores, que organizavam protestos em estádios e campanhas nas redes sociais. A saída de Casares ocorreu antes de uma assembleia geral de sócios que tinha o objetivo de ratificar ou não a decisão do Conselho, encerrando assim o processo formal de seu afastamento. Na carta de despedida, Casares alegou que deixava o cargo para preservar sua saúde e a integridade da família, mencionando o ambiente hostil e os ataques pessoais que tornaram sua permanência insustentável.
Momentos de Conquistas e Desafios Financeiros
Apesar do tumulto político, a gestão de Casares também ficou marcada por conquistas significativas para o São Paulo. Sob sua presidência, o clube quebrou um jejum de 16 anos sem títulos ao conquistar o Campeonato Paulista de 2021 com o técnico Hernán Crespo. Em 2023, o Tricolor conquistou a Copa do Brasil pela primeira vez, sob o comando de Dorival Júnior, e em 2024 faturou a Supercopa do Brasil ao vencer o rival Palmeiras.
Por outro lado, esse sucesso teve um custo elevado. A dívida do clube cresceu de R$ 635 milhões em 2021 para quase R$ 968 milhões no início de 2024, o que levantou debates acalorados entre conselheiros. A decisão de manter jogadores-chave, como Lucas Moura e Rodrigo Nestor, mesmo diante de propostas vantajosas, foi criticada por muitos. Além disso, a venda de jovens talentos das categorias de base, muitas vezes realizada por valores abaixo do mercado, não conseguiu frear o aumento da dívida, gerando descontentamento entre os torcedores, especialmente do grupo “Salve o Tricolor Paulista”.
Investigações e Escândalos Abalam a Credibilidade do Clube
A situação política do São Paulo se tornou ainda mais complicada com a abertura de investigações pela Polícia Civil sobre movimentações financeiras suspeitas que envolviam tanto o clube quanto o ex-presidente. Documentos e provas foram recolhidos durante operações no Morumbi, abarcando saques em espécie e transferências atípicas entre 2021 e 2025.
Um escândalo adicional que causou grande tumulto foi o vazamento de áudios que revelavam a exploração irregular de camarotes durante eventos na arena. As gravações, que envolviam pessoas próximas à diretoria, provocaram a indignação de sócios e impulsionaram o pedido de impeachment em dezembro de 2025. A performance irregular do time na última temporada também contribuiu para a perda de apoio político de Casares, tanto entre os conselheiros quanto entre os torcedores.
Expectativas para a Gestão de Harry Massis Junior
Harry Massis Junior, de 80 anos e com vasta experiência na política do São Paulo, agora assume o desafio de liderar o clube até o término do mandato em dezembro de 2026. Sua prioridade é pacificar o ambiente interno, assegurar a continuidade das operações e colaborar ativamente com as investigações. Massis já deixou claro que não pretende realizar mudanças drásticas na equipe ou na comissão técnica neste momento, optando por focar na reestruturação financeira e na transparência com as autoridades competentes.
A tarefa que Massis enfrenta é delicada. O clube precisa equilibrar suas contas e recuperar a confiança da torcida, além de buscar estabelecer auditorias externas para esclarecer as denúncias que surgiram recentemente. A expectativa é que essa nova gestão traga a credibilidade necessária de volta ao São Paulo, enquanto trabalha para preparar a equipe para os desafios que se aproximam em 2026.
O cenário é desafiador. Entretanto, o Tricolor permanece firme em sua busca por estabilidade e sucesso, tanto dentro quanto fora dos gramados. A torcida, como é de costume, anseia por um futuro marcado por maior transparência e novas conquistas.

