Análise do Impacto Econômico e Educacional
No final de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios brasileiros referentes a 2023. Apesar dos esforços para diminuir as disparidades econômicas, as desigualdades permanecem uma realidade muito presente em nosso país. Um editorial publicado em 21 de dezembro pelo JC destacou a situação dos municípios pernambucanos, trazendo à tona questões importantes sobre o crescimento econômico e seus reflexos na educação.
Dentre os municípios analisados, Lagoa Grande, localizado no sertão pernambucano, se destacou, com um aumento de 38% em seu PIB, impulsionado pela fruticultura, o que o fez subir para a 45ª posição no ranking estadual. Quando se observa a educação nesse município, é possível notar avanços significativos. Ao comparar os dados de aprendizado escolar de 2019 e 2023, nota-se uma melhora na performance dos alunos. Em 2023, 53% dos estudantes nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental apresentaram aprendizado adequado em Língua Portuguesa, e 44% em Matemática, em comparação a 50% e 40% em 2019.
Esses índices colocam Lagoa Grande em um patamar semelhante à média nacional, que ficou em 54% para Língua Portuguesa e 43% para Matemática em 2023. Em 2019, as médias nacionais eram ligeiramente superiores, com 55% e 45%, respectivamente. Quando analisamos a comparação com os municípios pernambucanos, Lagoa Grande se destaca com resultados superiores. A média dos municípios do estado em 2023 foi de 45% em Língua Portuguesa e apenas 34% em Matemática, evidenciando que Lagoa Grande ultrapassa em dez pontos percentuais o desempenho em Matemática.
Cenário do PIB e Educação no Nordeste
Outra análise relevante foi feita pelo jornalista Paulo Goethe na revista Movimento Econômico, na edição de 19/12/2025. Ele abordou a disparidade econômica entre os municípios nordestinos, destacando o crescimento da capital cearense, Fortaleza, que agora ocupa a liderança entre os municípios da região com um PIB de R$ 86,9 bilhões. Com cerca de 2,4 milhões de habitantes, conforme estimativas do IBGE de 2022, o PIB per capita de Fortaleza é de R$ 35.781, enquanto Manari, um dos municípios com menor PIB per capita do Brasil, apresenta um valor alarmante de apenas R$ 7.201.
Em termos educacionais, os índices de alunos com aprendizado adequado em Fortaleza, ao final do 5° ano do Ensino Fundamental em 2023, foram de 61% em Língua Portuguesa e 40% em Matemática—que, curiosamente, Lagoa Grande superou em Matemática. Já em Manari, os números são preocupantes: apenas 25% e 17% de aprendizado adequado em Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente. Essa situação tende a reforçar a conexão entre nível socioeconômico e desempenho escolar, mas essa relação não é universal.
Surpreendentemente, mesmo entre os onze municípios nordestinos com maior PIB per capita, a correlação entre riqueza e educação não se confirma. Exemplos como São Francisco do Conde (BA), Formosa do Rio Preto (BA) e Goiana (PE), que apresentam PIBs per capita de R$ 684.319, R$ 205.989 e R$ 171.409, respectivamente, revelam que seus resultados educacionais são alarmantemente baixos. Em Matemática, apenas 16%, 13% e 18% dos alunos têm desempenho adequado, números que se igualam aos de Manari.
Gestão Eficiente é Fundamental para a Educação
Essa realidade, no entanto, não passou despercebida pelos órgãos de controle, que têm se mostrado cada vez mais vigilantes. O simples ato de gastar o dinheiro público de forma honesta não é suficiente; é imprescindível que esses gastos sejam realizados com eficiência e eficácia. O que se observa é que a riqueza não necessariamente se traduz em uma educação de qualidade. Um exemplo positivo pode ser encontrado em Panelas, um município no Agreste de Pernambuco, que possui um PIB per capita de R$ 8.683, apenas um pouco acima do de Manari, mas que obteve índices impressionantes: 90% dos alunos em aprendizado adequado em Língua Portuguesa e 86% em Matemática em 2023.
É evidente que o Brasil precisa intensificar seus investimentos em educação. No entanto, se não houver uma melhoria na gestão, esses investimentos podem acabar sendo em vão. O exemplo de Panelas serve como inspiração para outros municípios, demonstrando que a gestão de qualidade pode fazer toda a diferença em relação aos resultados educacionais.

