Prevalência da Síndrome do Olho Seco em Ambientes Urbanos
A síndrome do olho seco (SOS), caracterizada por problemas na produção ou eficiência das lágrimas, apresenta uma prevalência significativa em áreas urbanas, atingindo cerca de 40% da população. Em contrapartida, essa condição é observada em apenas 20% dos habitantes de regiões rurais. Além disso, a pesquisa destaca que a síndrome afeta principalmente as mulheres, com mais de 35% delas apresentando sintomas. Esses dados provêm de um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, publicado na renomada revista Clinics.
Metodologia da Pesquisa
O estudo avaliou as cidades de Ribeirão Preto e Cássia dos Coqueiros, que possuem aproximadamente 700 mil e 3 mil habitantes, respectivamente. Os pesquisadores realizaram 600 visitas domiciliares aleatórias, aplicando o Questionário Breve de Doença do Olho Seco (DEDSQ) em voluntários com idades a partir de 40 anos. Eduardo Rocha, docente da FMRP e coautor da pesquisa, explicou que o objetivo era investigar as diferenças entre as duas aglomerações e identificar fatores associados à condição. “Queríamos entender os elementos envolvidos e observar se as áreas urbana e rural apresentavam variações significativas”, afirmou Rocha.
Identificação dos Sintomas e Fatores Associados
O estudo surgiu da crescente demanda de pacientes que consultam oftalmologistas devido aos sintomas relacionados à síndrome do olho seco, incluindo incômodos devido à falta de lágrimas, irritação e sensação de areia nos olhos. A síndrome provoca um ressecamento na superfície ocular, resultado da produção insuficiente ou de baixa qualidade das lágrimas, o que leva à evaporação rápida.
A pesquisa analisou 429 mulheres e 181 homens durante o inverno, a estação mais seca na região Sudeste. O questionário aplicado continha perguntas sobre sintomas como: “Você sente seus olhos secos?”, “Você sente seus olhos irritados?” e “Você já teve um diagnóstico de olho seco?”. Além desses dados, o estudo incorporou perguntas sobre fatores de risco, como diabetes mellitus, menopausa e o uso diário de telas eletrônicas por mais de duas horas.
Correlações e Fatores de Risco Identificados
Os resultados da pesquisa revelam correlações, embora não se possa estabelecer relações de causa e efeito. Rocha destacou que a pesquisa identificou algumas condições que estão mais frequentemente associadas à síndrome, como dislipidemia e histórico de cirurgia ocular. Para as áreas urbanas, os fatores de risco incluem doenças reumatológicas, uso crônico de antidepressivos e antialérgicos, e o tempo excessivo em frente a telas.
Entre as mulheres, os dados mostraram correlações com o uso de antialérgicos e comorbidades como dor pélvica crônica e fibromialgia. Para os idosos, embora diferentes fatores tenham sido considerados, o envelhecimento se destacou como uma possível causa, especialmente na população urbana.
Implicações e Recomendações dos Pesquisadores
Os pesquisadores expressaram surpresa com a diferença significativa entre os níveis de prevalência nas áreas urbanas e rurais, que se aproximaram de dados observados em metrópoles como São Paulo. “Os resultados foram mais discrepantes do que imaginávamos”, comentou Rocha. Para a classificação da síndrome, os indivíduos que respondem afirmativamente a pelo menos duas das três perguntas do questionário são considerados como tendo a doença, em um contexto científico.
Uma amostra dos participantes que apresentaram resultados positivos e uma de cada cinco pessoas que tiveram respostas negativas foram convidadas a realizar exames oftalmológicos gratuitos para validar as informações obtidas. “Notamos que o questionário era preditivo, ou seja, os que apresentaram respostas positivas realmente tinham problemas”, finalizou o especialista.
Prevenção e Cuidados com a Saúde Ocular
O foco na síndrome do olho seco deve ser a prevenção, enfatiza Rocha. Ele ressalta que a busca pela saúde deve ser uma prioridade, para evitar a necessidade de tratamento. Isso inclui manter um ambiente com umidade adequada, fazer pausas para hidratação, ter uma alimentação saudável e garantir uma boa qualidade de sono, cerca de oito horas por noite. Manter os olhos hidratados é fundamental para reduzir os desconfortos, que geralmente são sinais de que o órgão precisa de descanso.
Além disso, é importante atentar para outras doenças que podem provocar sintomas semelhantes à síndrome do olho seco, sendo necessário tratamentos específicos para cada condição. Os pesquisadores alertam para a importância de um acompanhamento regular com profissionais de saúde, considerando a complexidade dos fatores envolvidos.

