Fatores que Contribuíram para a Sobrevivência
Em um incidente surpreendente, Brenno, um garoto de 4 anos que é autista não verbal, caiu do décimo andar de um prédio em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e sobreviveu, enfrentando uma sequência de eventos improváveis. No dia 27 de dezembro de 2025, o menino caiu de cerca de 30 metros de altura, mas a sorte parecia estar ao seu lado, com a presença de uma janela aberta no oitavo andar, a única nesse andar. Essa janela, por acaso, pertencia a um apartamento onde vivem padres. “Era a única janela aberta. São padres que moram lá. É uma janela, vamos dizer assim, abençoada, né”, relatou Carlos Daniel, pai de Brenno.
De acordo com especialistas, uma criança como Brenno, ao cair do décimo andar, poderia alcançar a impressionante velocidade de aproximadamente 85 km/h ao tocar o solo. No entanto, a trajetória de Brenno foi alterada, mudando o resultado do acidente. Ele não atingiu diretamente o chão; em vez disso, ao passar pela janela aberta do oitavo andar, sofreu um impacto que ajudou a amortecer a queda.
O Acidente e o Socorro Rápido
O acidente ocorreu quando Brenno, explorando o apartamento da família, escalou até a janela de um banheiro e acabou caindo. “Ele realmente foi escalando, porque tinha marca aqui de pé, de pezinho sujo”, lembrou sua mãe, Paloma. O socorro foi imediato, com a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegando ao local em apenas sete minutos após a chamada. A ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores, que atendeu o menino, ficou chocada ao receber a notícia de que ele havia caído do décimo andar. “Nossa, 10 metros, né? Muito alto. Aí mais tarde, já falaram: ‘Não, foi do 10º andar’. Então, eu pensei: nossa, muito pior”, contou.
Os exames realizados revelaram que Brenno sofreu um trauma leve na cabeça, mas, surpreendentemente, seu pulmão apresentava apenas uma pequena lesão, e a coluna estava preservada. “Ele fraturou o fêmur dos dois lados e também as tíbias na perna”, detalhou a médica. O tratamento inicial incluiu a colocação de fixadores externos para alinhar os ossos quebrados, seguidos de duas cirurgias para a colocação de pinos e placas.
A Física da Queda e Fatores de Recuperação
As circunstâncias que levaram Brenno a sobreviver à queda foram analisadas por especialistas. Ao contrário do que se poderia imaginar, a velocidade de sua queda pode ter sido reduzida. “Na hora que ele caiu, bateu na janela que estava aberta”, explicou seu pai. Além disso, ele colidiu com um corrimão, o que ajudou a desacelerar sua descida. “Ao ele ir parando e amortecendo, acaba diminuindo a velocidade da queda”, acrescentou a ortopedista Caroline Marconatto.
Outro fator positivo foi o hospital onde Brenno foi atendido. Localizado a apenas uma quadra do prédio, a unidade é referência e contou com uma equipe especializada que prestou um socorro rápido. “Ele não precisou ser transferido para outro lugar para fazer a cirurgia. Muitos fatores positivos assim que contribuíram para a recuperação”, ressaltou a médica.
A idade de Brenno também desempenhou um papel importante em sua recuperação. “A criança tem um osso diferente do adulto, ainda em formação. A gente consegue, muitas vezes, contar com um remodelamento ósseo”, comentou o ortopedista pediátrico Pedro Francisco Moreno. O caso foi registrado como um acidente, e um laudo pericial está sendo elaborado para entender a dinâmica exata da queda.

