Secretário Explica Suspensão de Atendimento e Suas Consequências
O secretário de Saúde de Ribeirão Preto, Maurício Godinho, em uma entrevista ao Jornal da 79, esclareceu a recente suspensão do encaminhamento de pacientes do SUS para o Hospital Beneficência Portuguesa. A decisão, anunciada na última quinta-feira (29), decorre de uma liminar da 2ª Vara da Fazenda Pública, relacionada a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo.
A medida foi implementada pela prefeitura, que, através da Secretaria da Saúde, interrompeu o encaminhamento de pacientes da Rede Municipal de Saúde para o pronto-socorro do hospital na terça-feira (27). Godinho explicou que a unidade já enfrentava dificuldades operacionais, como problemas com equipamentos, estrutura física inadequada e falta de pessoal, antes mesmo da determinação judicial.
“A Benê dava sinais claros de que tinha dificuldades com o dimensionamento da equipe, equipamentos e infraestrutura, principalmente na área onde os pacientes do pronto-socorro são atendidos. O promotor havia sinalizado essas questões em várias reuniões, que culminaram na assinatura da liminar”, destacou o secretário.
Ele também comentou sobre o desafio de atender as exigências da juíza, que estipulou um prazo de 90 dias para as adaptações necessárias, ressaltando que resolver a questão do recurso humano é complicado. “Manter uma equipe adequada para o atendimento das pessoas é um desafio. Não sei se 90 dias é um tempo viável para cumprir todas as exigências”, ponderou Godinho.
O secretário enfatizou que a não adequação do hospital pode levar a uma sobrecarga no sistema de saúde, criando uma situação crítica. “Se a Beneficência não cumprir com as exigências e não reabrir, isso gerará uma pressão excessiva no sistema. É uma bola de neve que pode se agravar”, alertou.
Manifesto do Hospital Beneficência Portuguesa
Em resposta à situação, o Hospital Beneficência Portuguesa divulgou uma nota à imprensa esclarecendo a suspensão do atendimento de pacientes do SUS. Na declaração, o hospital afirmou que a Ação Civil Pública se refere exclusivamente ao Setor de Pronto Atendimento do SUS, em decorrência da necessidade de adequações estruturais.
O hospital também reafirmou que já possui um projeto aprovado pela Vigilância Sanitária e está tomando as providências necessárias para a execução das melhorias. “A assistência no Pronto Atendimento SUS está em conformidade com as diretrizes médicas atuais, e temos recebido avaliações periódicas que satisfazem as metas de qualidade e quantitativa em nossa contratualização com a Secretaria Municipal de Saúde”, explica a nota.
A instituição reconhece que, em determinados momentos, a demanda assistencial aumenta devido à regulação de pacientes pelo SUS, mas assegura que está se esforçando para enfrentar essa situação com a dedicação de suas equipes.
O hospital informa que mantém um diálogo constante com a Secretaria da Saúde e está elaborando um plano conjunto para garantir a continuidade do atendimento aos usuários do SUS. Os demais serviços da instituição, incluindo internações, cirurgias e atendimentos ambulatoriais, continuam funcionando normalmente, sem interrupções.
Com 118 anos de história, a Beneficência Portuguesa reafirma seu compromisso com a saúde da população de Ribeirão Preto e região, ressaltando que está trabalhando para resolver as dificuldades enfrentadas.

