Um Alvo na Indústria do Entretenimento
A comediante Tatá Mendonça, mais conhecida nas redes sociais como “Cega na Comédia”, compartilhou suas experiências com importunação sexual em uma apresentação recente em Franca, São Paulo. Na madrugada da última sexta-feira (13), ela se viu em uma situação desconfortável após seu show, quando um homem a assediou durante uma sessão de fotos com fãs. Em conversa com o g1, Tatá enfatizou a responsabilidade que sente em inspirar e representar seu público, refletindo sobre os desafios enfrentados por mulheres no meio artístico.
“É um pouco frustrante saber que entregamos muito e recebemos tão pouco apoio”, desabafou a comediante. Após o incidente, o noivo de Tatá acionou a Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência. O agressor foi preso em flagrante, conforme relato da artista nas redes sociais. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi contatada pela reportagem para fornecer mais detalhes, mas não respondeu até o fechamento deste artigo.
A Vulnerabilidade do Palco
Tatá, de 34 anos, comentou que, em seu ofício, a performance a torna mais exposta. Para ela, o palco é um momento em que os artistas se permitem ser vulneráveis — e a importunação vivida reflete a maneira como a mulher é percebida na sociedade. “Mulher em casa de shows se torna um alvo. Por ser mulher, você rapidamente atrai possíveis predadores, e por essa visão distorcida, algumas pessoas acreditam que têm direito de acessar nossos corpos”, lamentou a comediante.
O incidente ocorreu em um bar na Vila Aparecida, após a apresentação de stand-up de Tatá. Enquanto interagia com o público, um homem se aproximou para tirar uma foto e, segundo a artista, começou a apalpar sua cintura. “Tentei, algumas vezes, com o cotovelo, mostrar que o comportamento estava inadequado, mas ele não se afastou. Quando ele foi embora, já estava desconcertada. Ele saiu e voltou, chegando tão perto que quase encostou na minha boca”, relembrou Tatá, visivelmente incomodada.
O g1 também buscou um posicionamento do bar que sediou o evento, mas não obteve resposta. Tatá fez um apelo a outros estabelecimentos: “Quero deixar um alerta às casas de shows: a presença de mulheres nesses espaços não deve ser vista como problema. Pelo contrário! É essencial que os locais ofereçam segurança máxima para evitar que situações como essa ocorram”.
Um Recado para a Indústria
As sessões de fotos após os shows são, para Tatá, um momento de conexão com seu público. Embora reconheça que essas interações são uma tradição, a comediante expressou que se sente vulnerável durante esses momentos. “Faço isso por amor ao público, mas também a pedido das casas de stand-up. É complicado lidar com essa dualidade”, explicou.
Esse não foi o primeiro episódio de importunação enfrentado por Tatá. Em 2024, um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrava um momento constrangedor em que o comediante Cadu Moura, no palco, tocou suas costas de maneira inapropriada, descendo até a região das nádegas. Tatá rapidamente removeu a mão dele. “Naquela vez, não soube como reagir. Estava sozinha e pensei que, se tentasse me defender, isso poderia virar um problema para mim”, lembrou. Na época, ela se preocupava em não causar desconforto na cena, evitando ser vista como uma pessoa problemática.
Com uma década de experiência ajudando mulheres vítimas de violência doméstica, Tatá refletiu sobre a forma como lidou com o incidente recente. “Com a maturidade que adquiri, vejo que sou uma mulher respeitada e não preciso temer. Faço meu trabalho com dedicação, e o que os outros devem fazer é respeitar”, concluiu, demonstrando sua força e determinação.

