Decisão do TJD-SP em Caso de Assédio
O Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol (TJD-SP) decidiu multar o Comercial em R$ 10 mil devido a um caso de assédio contra uma médica durante uma partida realizada no dia 7 de março, entre o Leão do Norte e o Nacional-SP, válida pela Série A4 do Campeonato Paulista.
A deliberação ocorreu na última terça-feira e foi divulgada na quarta-feira pelo TJD-SP. O clube, localizado em Ribeirão Preto (SP), foi punido por unanimidade, conforme o segundo parágrafo do artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Este artigo trata de atos discriminatórios ou ultrajantes relacionados a preconceitos de diversas naturezas, como origem étnica, raça, sexo e condição de deficiência.
O Caso de Assédio Durante o Jogo
O incidente se deu no estádio Palma Travassos, durante a nona rodada da Série A4 do Campeonato Paulista. Bianca Francelino, médica que atuava pelo Nacional, relatou ter sido assediada por torcedores do Comercial que estavam próximos ao alambrado. A situação se agravou no final do primeiro tempo, quando a profissional se dirigiu ao campo para prestar atendimento a um jogador.
A conduta inadequada dos torcedores não apenas resultou na multa ao clube, mas também levou a ações da Justiça. Na última segunda-feira, um juiz determinou que os dois torcedores envolvidos no caso, identificados como Igor Nobre e Paulo Roberto Miranda, estão proibidos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) de frequentar partidas. O juiz Nemércio Rodrigues Marques tomou essa decisão com o intuito de resguardar a integridade de todos no ambiente esportivo.
Consequências e Medidas Adicionais
Além da multa aplicada ao Comercial, a decisão judicial ressalta a necessidade de medidas preventivas em relação à presença de torcedores identificados em situações de assédio. Esse tipo de ação é um passo importante para combater a cultura de violência e discriminação que ainda persiste em alguns ambientes esportivos no Brasil.
É essencial que as entidades esportivas, como a FPF, implementem protocolos rigorosos para identificar e punir comportamentos abusivos nas arquibancadas. O episódio reitera a importância de um ambiente seguro e respeitoso para todos os profissionais que atuam no futebol, especialmente as mulheres, que frequentemente enfrentam situações de desrespeito e assédio.
O TJD-SP reafirma seu compromisso em punir qualquer tipo de comportamento que ferir a dignidade humana dentro do esporte, tornando-se um exemplo de que a intolerância a comportamentos discriminatórios deve ser uma prioridade para todas as ligas e clubes. Essa é uma discussão que vai além dos campos e precisa ser abordada com seriedade e responsabilidade, visando um futuro onde todos possam desfrutar do esporte sem medo de represálias ou assédios.

