Protestos e Atrasos na Usina Carolo
A Usina Carolo, localizada em Pontal, São Paulo, enfrenta uma grave crise, com o sindicato local denunciando cerca de 350 demissões e a falta de pagamento de direitos trabalhistas. Em novembro de 2025, a usina passou por uma ação de busca e apreensão, que visou a reintegração de posse de máquinas agrícolas, e atualmente está sob investigação por fraudes no setor de combustíveis.
De acordo com informações fornecidas por Vitor, representante do sindicato, muitos trabalhadores não receberam qualquer compensação após suas demissões. Ele destacou que, além das rescisões não pagas, os funcionários também estão enfrentando atrasos em seus salários. “A folha de pagamento referente ao mês de fevereiro, que deveria ter sido quitada no quinto dia útil de março, ainda não foi paga”, explicou Vitor.
Além dos salários em atraso, os colaboradores estão sem receber vale-alimentação e sem acesso a convênios médicos há pelo menos três meses. A situação se agrava ainda mais com o desconto de pensões alimentícias que não foram repassadas às beneficiárias. Isso tem gerado revolta entre os trabalhadores, que se sentem lesados e abandonados.
Na manhã de 6 de março, cerca de 50 colaboradores se reuniram em frente à usina em uma manifestação contra a falta de pagamentos. Para impedir a entrada de pessoas na empresa, caminhões foram utilizados como bloqueio. “Houve dois meses de desconto do convênio médico, que não foi repassado, e pessoas tiveram pensões descontadas também sem que houvesse repasse. Além disso, nosso fundo de garantia está atrasado há um ano e dois meses”, desabafou um trabalhador, ressaltando as dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias.
A Usina Carolo, que está sendo investigada por sua suposta ligação com fraudes no setor de combustíveis, já havia sido alvo de busca e apreensão no ano anterior. Naquela ocasião, a Justiça determinou a reintegração de posse de máquinas agrícolas avaliadas em mais de R$ 50 milhões, após uma empresa de locação de maquinário ter alegado que o aluguel dos equipamentos não estava sendo pago desde maio do mesmo ano.
Esta situação delicada dos trabalhadores da Usina Carolo levanta questionamentos sobre a responsabilidade da empresa e as condições trabalhistas no setor. A falta de pagamentos e direitos não respeitados gera uma onda de insatisfação e medo entre os colaboradores, que enfrentam desafios diários para garantir o sustento de suas famílias. A continuidade das investigações e as ações do sindicato nos próximos dias devem ser monitoradas de perto pela comunidade e pelos órgãos responsáveis.

