Demissão e Consequências em Ribeirão Preto
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), pertencente à Universidade de São Paulo (USP), anunciou na última quinta-feira (12) a demissão do professor José Maurício Rosolen, acusado de assédio sexual e moral por alunas. A decisão foi formalizada em uma reunião da Congregação da FFCLRP.
De acordo com o comunicado oficial, a medida foi tomada após a análise das denúncias apresentadas. “Os autos serão agora encaminhados à Reitoria da Universidade de São Paulo, responsável pela execução e oficialização do ato administrativo”, destacou a nota.
Apesar de ter recebido autorização para retornar às atividades acadêmicas no início da semana, Rosolen foi informado sobre sua demissão. O GLOBO tentou contato com o docente por e-mail, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.
Histórico de Denúncias e Afastamento
As alegações contra Rosolen foram inicialmente divulgadas em reportagens da EPTV e do G1, revelando que duas ex-alunas de pós-doutorado relataram experiências de assédio. As vítimas descreveram episódios que incluem contatos físicos inadequados e convites que consideraram inapropriados, além de situações de assédio moral após manifestarem desconforto.
Além das duas denunciantes, uma lista com os nomes de outras 14 alunas que também enfrentaram situações similares foi encaminhada à administração do departamento de química. Os incidentes aconteceram em diferentes períodos, mas a USP já tinha conhecimento da situação pelo menos desde setembro de 2024, quando Rosolen foi afastado provisoriamente. Essa suspensão tinha validade de 180 dias, podendo ser prorrogada por mais 180.
Andamento Judicial do Caso
Atualmente, o caso segue seu trâmite apenas na esfera do poder judiciário. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, que concluiu o inquérito policial e o relatou à Justiça em setembro de 2025. A Secretaria de Segurança do estado de São Paulo confirmou essas informações em nota.
A demissão de Rosolen levanta questões importantes sobre assédio no ambiente acadêmico e a responsabilidade das instituições em coibir tais práticas. Especialistas apontam a necessidade de um sistema mais robusto de denúncias e proteção a vítimas, para que episódios como este sejam tratados com a devida seriedade, assegurando um ambiente seguro para todos os alunos e professores.
Assim, a ação da USP pode ser vista como um passo em direção a uma maior conscientização e prevenção de assédios nas universidades. O caso continua a repercutir amplamente, destacando a importância de um diálogo aberto e de políticas eficazes contra a violência de gênero no meio acadêmico.

