Estudo comprova o impacto positivo da vacinação contra o HPV
Um estudo recente da revista The Lancet Global Health trouxe à tona dados surpreendentes sobre a vacinação contra o HPV, vírus que afeta uma significativa parcela das mulheres. De acordo com a pesquisa, realizada por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com apoio de instituições como a Royal Society do Reino Unido, a vacinação não só reduz o risco de câncer de colo de útero em até 58%, como também diminui em 67% a incidência de lesões pré-tumorais. Esses resultados foram obtidos a partir da análise de mulheres de 20 a 24 anos vacinadas entre 2019 e 2023, em contraste com aquelas nascidas entre 1994 e 2000, que não tiveram acesso ao imunizante, já que ele não estava disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) na época.
A ginecologista Silvana Maria Quintana, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, aponta que os números expressivos são atribuídos a um conjunto de fatores, incluindo maior conscientização da população e a ampliação da cobertura vacinal. “O aumento na busca por serviços de saúde e o diagnóstico precoce são fundamentais para esses resultados positivos”, destaca.
HPV: Um vírus que pode causar câncer
O HPV, transmitido principalmente por relações sexuais, é responsável por uma variedade de problemas de saúde, sendo alguns de seus tipos mais perigosos associados ao câncer de colo de útero, pênis, boca e orofaringe. O infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, também da FMRP, ressalta a importância da vacinação para a criação de uma defesa imunológica contra o vírus. “Ao se vacinar, a pessoa produz anticorpos que a protegem contra a infecção pelo HPV, especialmente em situações de exposição sexual”, explica.
Desde 2023, a vacina, que anteriormente era destinada apenas a meninas, agora é recomendada também para meninos. O Ministério da Saúde permite que jovens de 9 a 14 anos, de ambos os sexos, recebam a imunização gratuitamente pelo SUS. Silvana sublinha a relevância dessa mudança, pois a imunização de meninos pode reduzir a circulação do HPV na comunidade, protegendo todos.
Desafios e mitos sobre a vacinação
Apesar dos avanços na cobertura vacinal, a saúde pública enfrenta desafios significativos, principalmente na forma de desinformação. A ginecologista relata que muitas mães expressam receios quanto à vacinação de suas filhas, temendo reações adversas. “Um dos mitos mais comuns que ouço é que vacinar significa que a jovem começará a ter relações sexuais”, diz. Ela esclarece que a vacina visa prevenir doenças, como o câncer de colo de útero, e não influencia a vida sexual.
Além disso, há dúvidas frequentes sobre a necessidade do exame Papanicolau após a vacinação. Silvana enfatiza que, embora a vacina seja eficaz, o exame continua sendo uma ferramenta crucial para a detecção precoce do câncer cervical. “O exame é indispensável e a vacinação não substitui a necessidade de acompanhamento regular”, esclarece.
Segundo ela, o verdadeiro desafio atual é fornecer informações precisas e acessíveis à população. “Garantir que as pessoas tenham acesso a informações de qualidade sobre saúde é fundamental para que possamos avançar na luta contra o HPV”, finaliza. Bellissimo complementa que, para os próximos anos, é essencial implementar estratégias eficazes de vacinação e educação, visando a erradicação do HPV e a redução significativa das formas de câncer associadas a ele.

