Cobertura Vacinal e Desafios Regionais
Dois anos após o início da vacinação contra a dengue no Brasil, os dados atuais revelam que a cobertura vacinal nas cidades da região de Ribeirão Preto, incluindo Barretos e Franca, permanece aquém do ideal, especialmente no que diz respeito à segunda dose, essencial para finalizar o esquema vacinal.
Embora muitos jovens tenham recebido a primeira dose, a adesão para a segunda é alarmantemente baixa. A imunização, iniciada em fevereiro de 2024, é destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta um dos maiores índices de internação por dengue, apenas superada pelos idosos, para os quais a vacina ainda não está disponível pela Anvisa.
O regime vacinal requer duas doses, com um intervalo de três meses entre elas. O Ministério da Saúde estabelece que a cobertura ideal deve sempre ultrapassar 90%. Contudo, nas principais cidades dessa região, os números estão consideravelmente distantes dessa meta.
Dados Preocupantes da Vacinação
Analisando os números de Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho e Barretos, a média de cobertura vacinal revela apenas 55,3% para a primeira dose e um alarmante 27,7% para a segunda, indicando que pouco mais da metade do público-alvo iniciou o processo de vacinação e menos de um terço completou o esquema.
Ribeirão Preto se destaca com a maior cobertura para a primeira dose, mas apresenta uma queda significativa quando se trata da segunda aplicação. Franca também apresenta uma discrepância notável entre o número de jovens que tomaram a primeira dose e os que voltaram para finalizar a vacinação.
Por outro lado, Sertãozinho e Barretos têm os índices mais baixos em ambas as etapas, refletindo a necessidade urgente de estratégias para aumentar a adesão.
Novas Alternativas para Combater a Dengue
A vacina em duas doses foi a única opção disponível durante um período, mas a partir desta segunda-feira (9), o governo de São Paulo inicia uma nova campanha de vacinação com a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Este imunizante, primeiro no mundo a ser administrado em dose única, pode ser um divisor de águas para a cobertura vacinal em todo o estado, tendo sido aprovado pela Anvisa para pessoas entre 12 e 59 anos.
Estudos indicam que a Butantan-DV possui uma eficácia de cerca de 75% contra episódios gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações. Nesta fase inicial, o foco da vacinação será em profissionais da Atenção Primária à Saúde em rede municipal.
Cobertura Vacinal em Ribeirão Preto e Outras Cidades
Em Ribeirão Preto, 84,5% do público-alvo recebeu a primeira dose, mas apenas 35,4% retornaram para a segunda. Para a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, esse cenário representa um grande desafio no combate à dengue: “As pessoas tomam a primeira dose, mas precisam da segunda para que essa proteção se mantenha e se torne mais duradoura. A vacina está disponível, e é vital que o esquema vacinal seja completado.”
Em Barretos, a situação é ainda mais crítica, com apenas 33,76% do público alcançando a primeira dose e somente 16,54% finalizando o esquema. Sertãozinho, com 8.268 crianças e adolescentes elegíveis, apresenta 40,47% para a primeira dose e 21,08% para a segunda. Franca, por sua vez, administrou 5.068 doses, com 62,3% correspondentes à primeira dose e 37,7% à segunda.
Vacinação Disponível e Esforços das Cidades
As prefeituras das cidades informam que a vacina contra a dengue continua disponível para o público-alvo. Ribeirão Preto conta com 39 salas de vacina, com endereços acessíveis no site da prefeitura. Luzia ressalta a importância de buscar a vacinação: “Quem não tomou a primeira dose, deve procurar a unidade. E quem já tomou, precisa retornar para a segunda. A vacina é segura e essencial para combater a dengue. Sem completar o ciclo, a proteção é insuficiente”.
A vacinação em Sertãozinho ocorre de segunda a sexta, das 7h30 às 14h45, em várias unidades de saúde. Em Barretos, Jaboticabal e Franca, a aplicação é feita nas Unidades Básicas de Saúde, sem necessidade de agendamento, mediante apresentação de documento de identidade e caderneta de vacinação.
Estatísticas de Casos e Mortes por Dengue
Os números de casos de dengue nas cidades da região não são animadores. Ribeirão Preto confirmou 44.630 casos e 26 mortes em 2024, com reduções em 2025 para 21.580 casos e 11 óbitos. As taxas de hospitalização caíram de 5,36% para 3,97%. Até 21 de janeiro deste ano, a cidade registrou 8 casos confirmados.
Em Sertãozinho, foram 2.207 casos e quatro mortes em 2024, subindo para 9.169 casos e 14 mortes em 2025. Barretos teve 3.805 casos em 2024 e quatro mortes, enquanto em 2025 foram 4.501 casos confirmados e seis óbitos. Finalizando, Franca registrou 9.432 casos e 20 mortes em 2024, e em 2025, foram 6.050 casos e quatro mortes.
Medidas de Combate à Dengue
Embora o início de 2026 tenha registrado poucos casos confirmados, Luzia alerta que os dados ainda são preliminares. “Janeiro não é um mês preditivo; as condições climáticas, como chuvas frequentes e calor, favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando rapidamente a infestação”.
Além da vacinação, Ribeirão Preto implementa medidas contínuas de controle do mosquito, incluindo vistorias, bloqueios de criadouros e nebulizações. A dengue é uma doença grave que pode levar à morte, e a vacinação é crucial, mas deve ser acompanhada por controles efetivos do mosquito.

