Colaboração entre Câmara e Senado se intensifica
Aliados dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estão se mobilizando para derrubar o veto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode impor ao projeto da dosimetria. Essa proposta, aprovada pelo Congresso no final de 2025, tem como foco beneficiar condenados pelos ataques golpistas. Há uma expectativa crescente de que Lula formalize seu veto durante um evento que rememora os três anos da invasão aos Três Poderes, o que poderá agravar as tensões entre o Executivo e o Legislativo.
Conforme comentado por integrantes próximos a Alcolumbre e Motta, a cúpula do Congresso já demonstra confiança em ter o apoio necessário para reverter essa medida. Os dois líderes parlamentares, por sua vez, decidindo não comparecer ao ato do governo, sinalizam uma postura de cautela, evitando um apoio explícito ao gesto simbólico governamental, mas também evitando um confronto direto.
Tensões entre Legislativo e Executivo se intensificam
A relação entre o Congresso e o Executivo tem se mostrado delicada, especialmente em um momento em que a discussão sobre a dosimetria contamina o ambiente político em torno do evento de 8 de janeiro. A proposta, que fez com que a Câmara aprovasse 291 votos a favor e 148 contra, e o Senado, 48 a 25, é vista como um indicador da disposição do Legislativo de agir contra o veto de Lula. Para que a derrubada do veto se concretize, são necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), próximo a Motta, acredita que há votos suficientes para derrubar o veto, que ele considera um desrespeito ao Legislativo. Segundo Nogueira, a ampla aprovação da dosimetria indica que os parlamentares não aceitarão um veto que interpretam como uma tentativa de Lula de se posicionar politicamente, mais do que como uma medida prática. ‘A dosimetria foi aprovada com mais de 300 votos, e isso mostra a força que o Congresso detém’, afirmou.
Expectativa de desdobramentos políticos
A ausência de Motta e Alcolumbre no evento do governo pode ser vista como um sinal da crescente divisão entre os poderes. Nos últimos anos, ambos já não participaram de cerimônias de memória e repúdio aos ataques de 8 de janeiro, o que reforça a ideia de um distanciamento entre o governo e o Legislativo. A expectativa agora é que, com a formalização do veto, novas articulações sejam feitas no Congresso, uma vez que a proposta da dosimetria é um tema que divide opiniões não apenas entre os parlamentares, mas também entre a população.
Com o cenário político em constante ebulição e a proximidade das eleições presidenciais, a maneira como Lula lidará com o veto pode influenciar diretamente sua relação com os legisladores e moldar o ambiente político do país. Este cenário exige atenção redobrada dos atores envolvidos, já que qualquer movimento em falso pode gerar reações adversas e impactos significativos no equilíbrio de forças entre o Executivo e o Legislativo.

