O Vírus Nipah e a Resposta das Autoridades de Saúde
Na última sexta-feira, dia 30 de janeiro de 2026, o Ministério da Saúde divulgou uma nota esclarecendo que o vírus Nipah, que resultou em dois casos confirmados na província indiana de Bengala Ocidental, representa um risco baixo de causar uma nova pandemia e não oferece ameaça ao Brasil. Essa avaliação é alinhada à que foi emitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em recente pronunciamento a jornalistas.
O ministério destacou que o mais recente caso confirmado na Índia foi diagnosticado em 13 de janeiro e, desde então, 198 pessoas que tiveram contato com os pacientes confirmados foram identificadas. Todos os contatos estão sob monitoramento e os testes realizados apresentaram resultados negativos para o vírus.
“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em um monitoramento contínuo, em sintonia com organismos internacionais”, afirmou o Ministério da Saúde em comunicado oficial.
Além disso, o ministério ressaltou que mantém protocolos de vigilância e resposta para agentes altamente patogênicos em todo o país. Essa atuação é feita em colaboração com instituições de referência, como o Instituto Evandro Chagas e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), além da participação ativa da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
Histórico do Vírus Nipah e sua Zoonose
O vírus Nipah não é uma novidade na saúde pública, tendo sido identificado pela primeira vez em 1999 durante um surto entre criadores de porcos na Malásia. Desde então, casos têm sido registrados com certa frequência em Bangladesh e na Índia, o que levanta a preocupação das autoridades de saúde.
O professor Benedito Fonseca, especialista em infectologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explicou à Agência Brasil que a incidência do vírus na Índia está atrelada à presença de uma espécie de morcegos que atua como hospedeiro do vírus, caracterizando a zoonose.
“Esses morcegos, que não habitam o continente americano, se alimentam de frutas e de uma seiva doce, ambas consumidas por humanos e animais domésticos nesta época do ano, o que pode levar à contaminação”, afirma o especialista. Além da transmissão através dos morcegos, também há relatos de que a doença pode ser transmitida por secreções de pessoas infectadas.
Potencial Pandêmico do Vírus e Considerações Finais
Fonseca enfatiza que os vírus zoonóticos geralmente possuem uma relação muito estreita com seu reservatório natural. A espécie de morcego que abriga o vírus Nipah tem uma distribuição geográfica ampla na Ásia, mas não é encontrada na Europa ou nas Américas. O professor acredita que o potencial pandêmico do vírus, ou seja, a sua capacidade de se espalhar pelo mundo, é bastante limitado.
Essas informações são cruciais para tranquilizar a população brasileira em um momento em que a saúde pública está sempre em alerta. As medidas de monitoramento e vigilância continuam a ser prioridade, reafirmando o compromisso das autoridades de saúde em proteger a população contra potenciais ameaças.

