Expectativas do PT se frustram com rejeição histórica
Após a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, no Senado, ficou evidente que a expectativa do Partido dos Trabalhadores (PT) de aprovar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) estava longe da realidade. Durante a sessão, uma lista elaborada pelas articulações políticas do PT previa que 45 senadores votariam favoravelmente a Messias, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP) e o senador do PL, Eduardo Gomes.
Entretanto, o resultado foi surpreendente: a indicação foi rejeitada, marcando a primeira negativa do Senado a uma escolha presidencial para o STF desde 1894. Essa queda revela não apenas a desarticulação dentro do governo, mas também as complexidades da política brasileira.
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Além de Ciro Nogueira, que ocupa a Casa Civil no governo Bolsonaro, os petistas também contavam com o possível apoio da ex-ministra Tereza Cristina, uma figura próxima ao ex-presidente. A incerteza também pairava sobre o voto de Rodrigo Pacheco, que era o nome preferido de Davi Alcolumbre para a vaga no Supremo.
Durante a contagem dos votos, o PT atribuía parte da responsabilidade pela rejeição a Flávio Dino, atual ministro do STF, enquanto a suplente Ana Paula era considerada um voto certo a favor de Messias.
O otimismo do governo quanto à aprovação de Messias era palpável. Não apenas Tereza Cristina estava na lista de possíveis votos, como ainda havia a perspectiva de apoio de sete senadores do PL: Romário, Izalci Lucas, Marcos Rogério, Wellington Fagundes, Wilder Moraes, Styverson Valentin e Zequinha Marinho, todos considerados indecisos.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Na contagem final, o PT acreditava que 45 senadores estariam fechados com Messias, 21 em dúvida e apenas 17 contrários. O que se viu, no entanto, foi um cenário bem distinto: Messias conseguiu apenas 34 votos, enquanto 42 senadores se mostraram contrários à sua indicação.
Quando a lista chegou ao conhecimento do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT), ele imediatamente contatou o Palácio para relatar a discrepância nas contas. Randolfe confiava mais na avaliação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que assegurou que Messias não teria mais do que 25 votos garantidos, com 35 senadores já decididos pela rejeição.
A versão que isenta a articulação política do PT de responsabilidade pelo insucesso argumenta que a movimentação para barrar a candidatura de Messias ocorreu dias antes da votação. No entanto, 15 dias antes da sabatina, Alcolumbre teve uma conversa com José Dirceu, na qual alertou que a indicação não passaria. Dirceu, por sua vez, também reportou a situação a ministros do PT, que se mostraram confiantes na aprovação.
Esse revés no Senado destaca a fragilidade das articulações políticas atuais e coloca em evidência a necessidade de uma reavaliação das estratégias do PT no cenário político brasileiro. Em um ambiente tão volátil, o partido terá de reconsiderar suas alianças e abordagens para futuras indicações.

