Desistência e apoio estratégico na corrida ao Senado
O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou sua desistência da candidatura ao Senado por São Paulo (SP) e declarou apoio à chapa formada por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Ambos integram o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A decisão foi apresentada como pessoal por Salles, que destacou que não se trata de uma orientação do partido Novo. O anúncio foi feito em conjunto com os três integrantes da chapa, reforçando a união do grupo.
Contexto político e impacto na disputa
Salles ressaltou o momento crítico que o país enfrenta e alertou para os riscos da continuidade do atual projeto político, referindo-se à possibilidade de reeleição do presidente Lula. Ele destacou que divergências devem ser deixadas de lado para evitar um cenário considerado prejudicial ao país. Essa posição reforça a estratégia de fortalecer a chapa Derrite e Prado para evitar a fragmentação do voto de direita em São Paulo.
De acordo com a pesquisa Datafolha mais recente, Salles aparecia com 4% das intenções de voto, atrás dos principais candidatos que disputam o Senado por São Paulo. Marina Silva liderava com 15%, seguida por Simone Tebet (PSB) com 14%, e os dois candidatos apoiados por Tarcísio, Guilherme Derrite e André do Prado, empatados com 12% cada. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
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Reação institucional e articulação política
O governador Tarcísio de Freitas reconheceu a legitimidade da candidatura de Salles, mas valorizou a decisão de “dar um passo ao lado” para fortalecer a chapa que representa seu grupo político. Tarcísio enfatizou a importância da união para garantir uma maioria no Senado que exerça o papel de moderação e freios e contrapesos, especialmente diante do cenário eleitoral polarizado.
O governador reforçou que candidaturas da esquerda no Senado por São Paulo seriam prejudiciais para seus objetivos e que a união em torno de candidaturas viáveis é fundamental para a estratégia eleitoral. O apoio à chapa Derrite e Prado foi apresentado como um gesto decisivo para evitar a divisão dos votos da direita, que poderia beneficiar adversários políticos.
Histórico de divergências e convergência final
Antes do anúncio, Salles vinha conduzindo uma campanha como representante da direita “independente”, criticando publicamente André do Prado, a quem rotulava como “integrante do Centrão”. A tentativa de Salles de integrar a chapa do governador não prosperou, em parte devido à escolha do PL pelo nome de Prado para disputar o Senado.
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Essa disputa gerou tensões e trocas de críticas entre Salles e Prado, principalmente em debates e redes sociais. Na coletiva em que anunciou a desistência, Salles evitou mencionar Prado diretamente, cabendo a Tarcísio oficializar o apoio à chapa unificada. A movimentação pretende consolidar os votos da direita e evitar que a fragmentação beneficie candidaturas rivais.
Próximos passos e alinhamentos nacionais
Apesar de apoiar a chapa de Tarcísio em São Paulo, Salles confirmou que seguirá apoiando Romeu Zema (Novo) na disputa presidencial. Entretanto, abriu espaço para que Zema desista e apoie Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, caso entenda que essa é a melhor estratégia para unificar a direita nacionalmente. Caso contrário, Salles afirmou que apoiará Flávio Bolsonaro no segundo turno, mantendo a coerência com o alinhamento regional e nacional.
Essa articulação revela o esforço para evitar divisões que possam enfraquecer a direita tanto na esfera estadual quanto na nacional, com reflexos diretos nas eleições de São Paulo e no cenário político mais amplo.

