Pesquisa Datafolha aponta vantagem de Tarcísio de Freitas em São Paulo
O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), enfrenta uma desvantagem expressiva de 20 pontos percentuais frente a Tarcísio de Freitas (Republicanos), conforme divulgado pelo Datafolha na última quinta-feira. A pouco menos de uma semana da votação, o petista mantém confiança em uma reversão, mas a transferência de votos necessária para ameaçar o adversário seria inédita no cenário político paulista.
Segundo a simulação do primeiro turno, Tarcísio aparece com 50% das intenções de voto, enquanto Haddad soma 30%. Outros candidatos, que não contam com espaço de propaganda em rádio e TV, alcançam 9% juntos. Brancos e nulos representam 8% e 3% dos eleitores permanecem indecisos para a escolha prevista para 4 de outubro.
Viradas históricas e a rigidez do eleitorado paulista
Nos últimos 20 anos, os líderes nas pesquisas para o Executivo paulista mantiveram sua vantagem até as urnas, com exceção de Haddad em 2022, quando foi superado por Tarcísio no primeiro turno. Nomes como Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria, todos do PSDB, confirmaram favoritismo e encerraram a disputa no primeiro turno ou chegaram ao segundo turno à frente.
O desempenho do PT e de outros candidatos de esquerda demonstra avanços pontuais, porém insuficientes para a reversão que Haddad busca agora. Em 2018, Márcio França (PSB) passou de 14% nas intenções de voto para 16,8% no primeiro turno, superando Paulo Skaf (MDB), mas ainda atrás de Doria. Já Luiz Marinho (PT) subiu de 5% para 9,9%. Mesmo somados, esses avanços não ultrapassaram oito pontos percentuais.
Casos recentes de crescimento tardio
Em 2014, Alexandre Padilha (PT) evoluiu de 9% para 15,1%, mas não conseguiu evitar a reeleição de Alckmin no primeiro turno. Aloizio Mercadante (PT) registrou duas subidas significativas: de 21% para 28,5% em 2006 e de 23% para 31,7% em 2010, quando Lula governava com alta popularidade. Ainda assim, o PSDB permaneceu dominante nessas disputas.
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Impacto do desempenho em São Paulo capital e a rejeição no interior
Durante debate realizado pela TV Record, que assumiu formato de sabatina após a ausência de Tarcísio, Haddad manteve otimismo baseado em sua vitória na prefeitura de São Paulo em 2012, quando superou José Serra e Celso Russomanno. Naquela eleição, Haddad ampliou sua vantagem nas urnas em relação às pesquisas graças à queda de Russomanno, que liderava as sondagens.
Apesar disso, a capital paulista representa cerca de um terço do eleitorado do estado, e há uma tendência histórica de maior rejeição ao PT no interior paulista. Esse fator limita a possibilidade de uma virada ampla para Haddad nesta eleição.
Haddad reforça compromisso com a vitória e não apenas com o palanque para Lula
Em evento organizado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, Haddad pediu empenho dos apoiadores e rejeitou a ideia de que seu objetivo seria apenas garantir um palanque competitivo para o presidente no estado. O candidato enfatizou a meta de alcançar 51% dos votos em São Paulo, e não apenas 45%.
Outros candidatos e cenário para o primeiro turno
Além de Tarcísio e Haddad, a disputa conta com outros cinco candidatos. Carlos Machado (PCB), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) aparecem com 2% cada na pesquisa Datafolha. Izadora Dias (PCO) registra 1%. Edjane renunciou à candidatura, o que resultará na anulação dos votos destinados a ela.
O desempenho dos concorrentes menos expressivos tende a ter impacto limitado nos números gerais, indicando a possibilidade de decisão já no primeiro turno.
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Relembre resultados recentes
Em 2022, Haddad liderava com 34% das intenções de voto a 10 dias do primeiro turno, mas foi superado por Tarcísio, que obteve 37,6%. No segundo turno, Tarcísio manteve vantagem, com 49,3% contra 39,9% de Haddad.
Em 2018, João Doria (PSDB) confirmou favoritismo com 24,8% no primeiro turno, seguido por Márcio França (PSB) com 16,8%, e Paulo Skaf (MDB) com 16,5%. No segundo turno, Doria ampliou sua vantagem.
Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito em 2014 no primeiro turno, com 47,5% dos votos, enquanto Paulo Skaf (MDB) recuou de 22% para 17,8% e Alexandre Padilha (PT) avançou de 9% para 15,1%.
Em 2010, Alckmin venceu novamente no primeiro turno com 45,5%, apesar do crescimento de Aloizio Mercadante (PT) de 23% para 31,7%. Em 2006, José Serra (PSDB) consolidou sua vitória, passando de 51% no Datafolha para 57,9% nas urnas, enquanto Mercadante cresceu de 21% para 31,7%.
Os dados históricos confirmam a dificuldade de Haddad em reverter a desvantagem atual, diante do comportamento tradicional do eleitorado paulista e das forças políticas em jogo.

