Simulação inédita de eleição com inteligência artificial
Pesquisadores da FIA Business School, em parceria com a consultoria Levius, realizaram uma simulação que simulou o comportamento de 10 mil eleitores fictícios na disputa pelo governo de São Paulo. Esses eleitores virtuais foram criados a partir de dados reais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerando características como idade, gênero, escolaridade, raça, estado civil e localização geográfica. Eles receberam notícias e acompanharam acontecimentos da campanha eleitoral simulada, adaptando suas preferências ao longo do processo.
Resultados da simulação para o governo paulista
Após onze rodadas do experimento, o cenário indicou uma vitória de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com 53,5% dos votos válidos, contra 41,5% de Fernando Haddad, do PT. Os demais candidatos somaram 5%, o que, segundo a Levius, aponta para um encerramento da disputa já no primeiro turno. A simulação também revelou que 37,4% dos eleitores virtuais de Tarcísio apresentam voto consolidado, enquanto o petista teve 29,1% de voto duro, com maior parcela de eleitores persuadíveis.
Diferenças regionais e metodologia aplicada
O estudo identificou variações territoriais no comportamento dos eleitores simulados. No Interior e no Litoral de São Paulo, Tarcísio lidera com maior vantagem. Já na Capital e na Grande São Paulo, Fernando Haddad obteve desempenho ligeiramente superior. A inteligência artificial empregada baseou-se no modelo aberto Qwen, que possui 14 bilhões de parâmetros, permitindo que os agentes virtuais assimilassem e reagissem a notícias, pesquisas e eventos políticos durante a campanha.
Leia também: Diretor da Quaest avalia baixa chance de virada na eleição para governo de São Paulo
Leia também: Flávio Bolsonaro Realoca Campanha para São Paulo e Intensifica Aliança com Tarcísio de Freitas
Limitações e perspectivas do método
Os pesquisadores destacam que essa simulação não deve ser interpretada como uma pesquisa eleitoral tradicional, pois os eleitores são agentes computacionais e não humanos reais. A ferramenta visa compreender a dinâmica das mudanças de preferência ao longo de uma campanha, permitindo testar diferentes estratégias e cenários políticos. O método foi validado com dados da eleição de 2022 e agora aplicado ao cenário de 2026 para o governo de São Paulo, sem margem de erro tradicionalmente associada a pesquisas convencionais.
Por enquanto, a simulação abrange apenas a disputa pelo governo estadual, mas abre caminho para análises mais detalhadas do comportamento eleitoral e das estratégias políticas em futuras campanhas.
Leia também: Datafolha em São Paulo: Tarcísio mantém liderança consolidada com 50% na reta final da eleição

