Aumento das Fatalidades no Trânsito em Ribeirão Preto
De acordo com informações recentes do Infosiga, sistema de monitoramento criado pelo Governo de São Paulo, Ribeirão Preto (SP) encerrou o mês de janeiro com um total de seis mortes no trânsito. Dentre os falecidos, três eram motociclistas e três, pedestres. Esses números revelam uma preocupação crescente quanto à segurança viária na cidade.
Em comparação, na cidade vizinha de Franca (SP), que possui menos da metade da população de Ribeirão Preto, o cenário é ainda mais alarmante: 12 mortes ocorreram no mesmo período, um número que representa o dobro do registrado em Ribeirão. Esses dados são particularmente significativos, pois indicam que esse foi o maior índice de óbitos para o mês em Franca nos últimos 11 anos, um claro sinal de alerta para as autoridades locais.
Reflexão Necessária sobre Comportamento de Motoristas
Para o engenheiro de trânsito Anderson Manzoli, os números são impactantes e devem ser motivo de reflexão. Ele ressalta que o trânsito é sustentado por três pilares essenciais: infraestrutura, fiscalização e comportamento. “O maior causador de acidentes ainda é o comportamento do motorista. Mesmo ciente das regras, muitas vezes, o condutor ignora o espaço que é de todos nós”, observa Manzoli.
Segundo ele, embora seja importante realizar melhorias nas vias, a mudança na postura individual dos motoristas é fundamental para a segurança no trânsito. “Quando um engenheiro projeta uma estrada para 60 km/h, ele considera fatores como a distância de frenagem e a sinalização. Mas se alguém decide ultrapassar esse limite e dirigir a 80 ou 100 km/h, coloca a vida de todos em risco”, explica.
Vulnerabilidade dos Usuários de Rua
O perfil das vítimas no trânsito de Ribeirão Preto reforça a preocupação com os usuários mais vulneráveis: motociclistas e pedestres. Para Manzoli, isso destaca a urgência de uma responsabilidade compartilhada. “O pedestre e o motociclista estão mais expostos. É necessária uma mudança no comportamento geral da população”, afirma.
O engenheiro também alerta sobre o uso de celulares durante a condução e atravessia de ruas. “Ninguém vai morrer se esperar 15 ou 20 minutos sem olhar para o celular. Apenas dois ou três segundos de distração podem resultar em um acidente grave”, adverte.
A Importância da Educação no Trânsito
Além da fiscalização, Manzoli defende que é imprescindível investir em educação e na mudança da cultura de trânsito. “Não adianta aumentar as multas se o que gera essa desconexão com a vida continuar. Precisamos de mudanças estruturais na forma como nos relacionamos com o trânsito”, afirma o especialista.
Ele propõe que o debate sobre segurança no trânsito envolva escolas, empresas e famílias, destacando que quando se externaliza o problema e se responsabiliza apenas os outros, a evolução é limitada. “O trânsito deve ser mais colaborativo e menos uma disputa por espaço”, conclui Manzoli. Essa abordagem pode ser a chave para reduzir o número crescente de acidentes e mortes nas vias urbanas.

