Desafios na Pavimentação da Estrada Municipal do Piripau
A expectativa em torno da conclusão da pavimentação de 6,6 km da Estrada Municipal do Piripau, em Ribeirão Preto, está se transformando em frustração para os moradores. A finalização da obra, que já foi adiada, estava prevista para abril deste ano, e a demora expõe um impasse entre o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) e a Prefeitura local. De acordo com o DER-SP, a conclusão da pavimentação depende de desapropriações que a Prefeitura não teria realizado. Por outro lado, a administração municipal alega que está aguardando um projeto técnico detalhado para dar início a esses trâmites.
A aposentada Ângela Leite, residente na região há 40 anos, expressa sua indignação: “A estrada nunca esteve tão cheia de buracos, tão ruim. Isso afeta nossas vidas diárias. Precisamos ir a farmácias e supermercados, e essa ‘buraqueira’ acaba com os nossos carros, furando pneus e causando transtornos”. A situação na estrada é um reflexo do descontentamento dos moradores, que enfrentam dificuldades para se locomover.
Importância da Estrada Municipal do Piripau
O trecho da Estrada Municipal do Piripau, embora relativamente curto, desempenha um papel crucial na conexão entre a Rodovia Abrão Assed (SP-333) e diversas propriedades rurais, além de condomínios na zona leste da cidade. Essa estrada é fundamental tanto para os residentes que clamam por melhorias há décadas quanto para os caminhões que transportam produtos agrícolas na área. Em 2022, o DER-SP estabeleceu um convênio com a Prefeitura de Ribeirão Preto para viabilizar as obras no local, inseridas no Programa de Recuperação de Estradas Vicinais do Estado de São Paulo, conhecido como “Novas Vicinais”.
Em abril do ano passado, o órgão estadual chegou a assinar um contrato com uma empresa vencedora da licitação, no valor de R$ 11,3 milhões, para realizar a pavimentação do trecho em um prazo inicial de 12 meses, que expirou no último dia 16. Um ano se passou e, apesar de uma parte significativa da obra já ter sido realizada, ainda há muitos desafios a serem enfrentados. O espaço já asfaltado permanece bloqueado e os motoristas, ao se dirigirem aos condomínios e chácaras, são obrigados a fazer desvios por trechos de terra.
Além disso, a falta de equipes trabalhando no local tem gerado mais descontentamento. Rodrigo Moreira, síndico de um condomínio na região, ressalta que a expectativa em torno da obra é antiga, com mais de dez anos de solicitações por melhorias. “A obra começou, mas parou. Está há quase três meses parada”, lamenta.
Posicionamento do DER-SP e da Prefeitura
Em resposta às queixas da comunidade, o DER-SP informou, por meio de uma nota, que o trecho asfaltado deve ser liberado em cerca de três semanas. No entanto, enfatizou que a conclusão das obras restantes está atrelada às desapropriações que são de responsabilidade da Prefeitura de Ribeirão Preto. Por sua vez, a Prefeitura rebateu as alegações, afirmando que não pode iniciar o processo de desapropriação sem que o DER envie um projeto técnico detalhado contendo as correções necessárias. Sem esse documento, os procedimentos legais não podem avançar.
Ainda segundo a administração municipal, a necessidade das desapropriações surgiu após uma readequação na obra, que apresentou problemas no projeto de drenagem realizado pelo DER. “As valas foram implantadas muito próximas à pista, sem o espaço adequado para acostamento, o que compromete a segurança viária. Após questionamentos, técnicos do Departamento reconheceram que o projeto não atendia às normas, que exigem uma distância mínima entre a pista e os dispositivos de drenagem”, explica a Prefeitura.

