A Educação como Escudo Contra a Desinformação
Em 2020, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) lançou o estudo “Otan 2030 — Unidos para uma Nova Era”, que embora não mencionasse diretamente o conceito de “guerra cognitiva”, já refletia sobre as “ameaças híbridas” e a propagação de desinformação por meio da manipulação digital. Com o passar do tempo, esse conceito foi ampliado, incorporando aspectos psicossociais que afetam diferentes sociedades. Atualmente, a guerra cognitiva se desdobra diariamente em várias plataformas de comunicação, que se tornaram mais velozes e complexas, especialmente com o avanço da inteligência artificial (IA).
Conforme destacam os pesquisadores da Otan, a guerra cognitiva é um conflito constante na difusão de informações, com a mente humana sendo o principal campo de batalha. Essa realidade é palpável nas redes sociais, onde circulam conteúdos fraudulentos direcionados a diversos alvos, como indivíduos, nações, empresas ou instituições. Nos sistemas democráticos, onde a população exerce seu voto regularmente, o embate entre diferentes discursos afloram, evidenciando a guerra cognitiva de forma explícita.
Para enfrentar essas ameaças, é fundamental preparar a população, sendo a educação uma ferramenta crucial. A formação adequada é a única forma de capacitar os cidadãos a se protegerem contra manipulações que, em última análise, ameaçam a sustentação da democracia. Priscila Cruz, presidente do movimento Todos Pela Educação, fez um alerta em sua coluna no GLOBO sobre a fragilidade do sistema educacional brasileiro: a baixa qualidade da educação deixa a maior parte da população exposta a um mar de desinformação presente na internet.
Essa situação não envolve apenas uma batalha política, mas também um controle mental em uma sociedade marcada pela desigualdade na capacidade de discernir o que é verdadeiro ou falso. Portanto, investir em educação é vital não apenas para promover o desenvolvimento econômico, mas também para garantir a defesa nacional e a preservação das liberdades democráticas. A educação se mostra, assim, como um investimento estratégico para proteger os valores democráticos em tempos de incerteza.

