Operação Ouro Branco: Ação Policial Contra Crimes de Carga
No dia 17 de outubro, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo deu um grande golpe no crime organizado ao realizar a Operação Ouro Branco. O objetivo da ação foi desarticular uma quadrilha especializada no furto de cargas de farelo de soja e açúcar, que eram transportadas por trens no interior do estado, especialmente na região de Aguaí, com destino ao Porto de Santos. Esses criminosos, que estavam sob investigação desde dezembro do ano passado, causaram um prejuízo significativo à empresa responsável pelo transporte das mercadorias.
A operação mobilizou 29 policiais civis e dez viaturas, sob a coordenação da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar). Durante a ação, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão, todos realizados em Aguaí, que fica a cerca de 200 quilômetros da capital paulista, entre Ribeirão Preto e Campinas. Até o momento, três suspeitos foram presos, enquanto um quarto indivíduo ainda está sendo investigado.
As diligências levaram à apreensão de veículos utilizados nas atividades criminosas, sacos que serviam para o transporte das cargas furtadas e até dois simulacros de armas, além de outros materiais que estavam relacionados à operação do grupo. A investigação começou em dezembro de 2025, após denúncias que apontavam para prejuízos milionários devidos a furtos frequentes ao longo das linhas férreas.
De acordo com a apuração, a quadrilha operava de maneira estruturada e em etapas. Alguns membros do grupo se infiltravam nos vagões enquanto os trens estavam em movimento, ensacavam a carga e a arremessavam para fora, às margens da linha férrea. Em uma segunda fase, outros integrantes do bando recolhiam as mercadorias com auxílio de veículos, levando-as para galpões e propriedades rurais na região. Esses locais eram utilizados para armazenamento e “regularização” das cargas, que seriam posteriormente revendidas no mercado formal.
O delegado Danilo Alexiades, que está à frente das investigações, ressaltou que o grupo estava sendo monitorado desde o final do ano anterior, após relatos de prejuízos significativos. “Eles agiam diretamente nos vagões em movimento, retiravam a carga e lançavam na linha férrea, permitindo que outros membros fizessem o recolhimento”, disse o delegado. Essa eficiente organização criminosa mostra a audácia e a capacidade de planejamento dos envolvidos.
O nome da operação, Ouro Branco, foi escolhido em referência ao alto valor e à rápida liquidez dos produtos furtados. “O açúcar, por exemplo, é uma mercadoria procurada, que tem compradores certos assim que é subtraída. Por isso, chamamos de ‘ouro branco’, devido à sua fácil inserção no mercado”, completou Alexiades.
As investigações não param por aqui. A Polícia Civil continua a busca por outros membros do esquema criminoso e a operação permanece em andamento. O trabalho conjunto das equipes policiais demonstra a seriedade e o comprometimento da corporação no combate ao crime organizado e na proteção das empresas que atuam na logística de cargas em nosso estado.

