Ação da Polícia Civil no Interior de São Paulo
RIBEIRÃO PRETO/SP – Na manhã desta terça-feira (17), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) deflagrou a Operação Ouro Branco, com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada no furto de cargas de farelo de soja e açúcar que eram transportadas por trens na região de Aguaí, interior de São Paulo. As investigações, que tiveram início em dezembro do ano passado, revelaram que os criminosos causaram prejuízos milionários à empresa responsável pelas mercadorias, que tinham como destino o Porto de Santos.
A operação, coordenada pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), contou com a participação de 29 policiais civis e a utilização de dez viaturas. Durante a ação, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão, todas as ordens judiciais foram executadas em Aguaí, localizada a cerca de 200 quilômetros da capital paulista, entre as regiões de Ribeirão Preto e Campinas. Até o momento, três suspeitos foram detidos, enquanto um quarto indivíduo ainda está sob investigação.
Durante as diligências, os agentes apreenderam diversos veículos, sacos utilizados para o transporte das cargas furtadas, dois simulacros de arma e outros materiais que estão relacionados às atividades ilícitas do grupo.
Investigações Revelam Estratégia da Quadrilha
As investigações começaram em dezembro de 2022, após denúncias que indicavam prejuízos significativos causados pelos furtos frequentes ao longo das linhas ferroviárias. Segundo as apurações, a quadrilha operava de forma metódica e em várias fases. Em um primeiro momento, parte dos criminosos acessava os vagões durante o percurso dos trens, ensacando a carga e lançando-a nas margens da linha férrea. Posteriormente, outros membros do grupo se encarregavam de recolher os produtos com o auxílio de veículos, transportando-os para galpões e propriedades rurais na região. Nessas instalações, os itens eram armazenados e “legalizados” para serem revendidos no mercado formal.
O delegado responsável pela ação, Danilo Alexiades, explicou que a investigação foi intensificada após receber denúncias de danos financeiros em grande escala. “Eles agiam diretamente nos vagões em movimento, retirando a carga e lançando-a na linha férrea, onde outros integrantes faziam o recolhimento. A estrutura deles agravava bastante o problema”, destacou Alexiades.
Ouro Branco: O Nome da Operação e suas Justificativas
O nome “Ouro Branco” foi escolhido em função do elevado valor dos produtos envolvidos e pela facilidade de escoamento. Como explicou o delegado, o açúcar, por exemplo, é uma mercadoria que, assim que subtraída, já encontra um comprador. “Essa é a razão da alusão ao ‘ouro branco’, devido à liquidez e à rápida inserção no mercado”, acrescentou o delegado.
As investigações ainda estão em curso, com o objetivo de identificar outros membros que possam estar envolvidos nesta rede criminosa. A operação permanece ativa, e novas diligências podem ser realizadas a qualquer momento.

