Denúncias de Conduta Abusiva
Investigações estão em andamento em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde uma hamburgueria, identificada como Oliveira Burguer, é alvo de denúncias por conduta abusiva durante seus processos de seleção. De acordo com relatos de diversas mulheres, a empresa exigia fotos do corpo e roupas justas como condição para oferecer salários superiores, o que fere a legislação trabalhista vigente. O proprietário, Rafael Oliveira, está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Polícia Civil.
Pelo menos duas candidatas relataram que foram abordadas via WhatsApp, após visualizarem anúncios em grupos dedicados a oportunidades de emprego. As mensagens prometiam vagas fixas para mulheres, sem a necessidade de experiência, mas com a ressalva de que o pagamento seria maior caso aceitassem usar roupas que moldassem o corpo. Em um dos casos, o salário poderia variar de R$ 1.300,00 para R$ 1.700,00 dependendo da vestimenta; em outro, havia indicação de dois tipos de pagamentos conforme a roupa utilizada. Além disso, as candidatas receberam instruções de que trajes que marcassem a silhueta atrairiam mais clientes.
Impacto nas Vítimas e O Andamento das Apurações
Entre as pessoas afetadas pelas práticas da hamburgueria, destacam-se uma adolescente de 17 anos e uma mulher de 23. Ambas relataram experiências de constrangimento e invasão de privacidade durante as negociações. A jovem, por exemplo, recebeu propostas de salários superiores condicionadas ao uso de decotes e calças legging justas, além de ter sido solicitada a enviar fotos do corpo. Já a mulher de 23 anos optou por recusar a oferta ao ser informada de que a vestimenta impactaria diretamente a remuneração.
Investigação e Quebra de Direitos
A investigação está sendo realizada em conjunto pela Polícia Civil e pelo MPT, que iniciou um processo para apurar possíveis violações de direitos trabalhistas e a exploração de menores. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirma que um dos casos está sendo investigado no 3º DP de Ribeirão Preto, e o outro na Delegacia de Defesa da Mulher, com diligências em andamento. Contudo, os detalhes sobre a identidade das vítimas permanecem em sigilo.
Especialistas ressaltam que as propostas feitas pela hamburgueria não apenas violam direitos trabalhistas, mas também representam uma conduta ética questionável e potencialmente criminosa devido à exploração do trabalho. A presença de uma menor entre as candidatas aumenta o risco de crimes como importunação sexual, o que pode levar a processos de indenização por danos morais. Este caso também levanta indícios de abuso de poder durante o processo seletivo, refletindo a necessidade de rigor nas investigações e possíveis punições.
Repercussões e Resposta do Estabelecimento
Após o desdobramento das denúncias, o perfil da hamburgueria nas redes sociais foi desativado, e o local permaneceu fechado durante o fim de semana. Em uma declaração à EPTV, o proprietário admitiu que cometeu um erro e afirmou não ter a intenção de ofender as candidatas. Oliveira alegou que houve um acúmulo de mensagens e que não avaliou corretamente a idade da mulher que recebeu a proposta. Embora tenham sido feitas tentativas de contato com o estabelecimento em busca de mais esclarecimentos, ainda não houve retorno.

